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Datafolha projeta virada histórica e reeleição de Lula para inédito 4º mandato

Foto: AFP
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Com 76,98% das urnas apuradas, presidente tem 51,17% dos votos válidos contra 48,83% de Flávio Bolsonaro; é a primeira virada no segundo turno desde 1989

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e foi reeleito neste domingo (25) para seu quarto mandato, um feito inédito na história política brasileira, segundo projeção do Datafolha.

Com 76,98% das urnas apuradas, o petista registrava 51,17% dos votos válidos, contra 48,83% do senador. Com base no agrupamento de eleitores por mesorregião, o instituto aponta que Flávio não tem mais chances matemáticas de alcançar o atual presidente.

A vitória consolida uma campanha de reviravolta. Lula havia ficado em segundo lugar no primeiro turno contra o filho de seu antecessor, Jair Bolsonaro — que está preso por tentativa de golpe de Estado após perder o pleito de 2022. É a primeira vez que um candidato vira um segundo turno presidencial desde a redemocratização, em 1989. Aos 81 anos (completados na próxima terça-feira, 27), Lula é o ocupante mais idoso do cargo na história e agora se prepara para o que deve ser seu último governo.

Tensão e interferência no dia da votação

O dia do pleito foi marcado por turbulência institucional. De forma inédita, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a votação em todo o país por duas horas, estendendo o prazo até as 19h. A medida atendeu a uma queixa da campanha petista sobre obstáculos à liberação do transporte público em dez estados, incluindo São Paulo e Bahia.

A confusão ganhou contornos partidários. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e associado ao bolsonarismo, não agiu apesar dos relatos iniciais. Coube ao ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, determinar a prorrogação da votação, sendo seguido pelo colega.

A reviravolta da campanha

A vitória de Lula foi desenhada nos momentos finais de uma campanha polarizada. No primeiro turno, Flávio venceu por 47,03% a 45,16% e adotou uma postura de “salto alto”, falando como eleito, especulando ministérios e sugerindo mudanças constitucionais.

Lula, por sua vez, passou boa parte do segundo turno em um modo mais cauteloso, mas acordou para o embate na reta final. A campanha apostou em anúncios como a proibição das bets e o reajuste do Bolsa Família, além de uma celeuma em torno de Nossa Senhora, que impulsionaram o voto em segmentos como mulheres periféricas e católicos.

A estratégia digital também foi decisiva. O comando da campanha foi alterado, e o deputado André Janones (Rede-MG) assumiu a articulação, criando o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que chegou ao pleito com mais de 10 milhões de seguidores. Flávio tentou bloquear o canal com o auxílio do TSE, mas a operação foi mantida até o fim.

Nas ruas, o risco da volta de um Bolsonaro ao poder acordou a militância de esquerda e centristas. Manifestações enormes e orgânicas, sem a tradicional organização de sindicatos, desafiaram a primazia da direita nos protestos. Os rivais ainda se enfrentaram em dois debates ao vivo (Band e Globo), marcados por agressividade e acusações mútuas.

Os desafios do novo governo

Lula não terá trégua até a subida da rampa do Planalto, em janeiro. Um dos focos de atenção é a relação com os Estados Unidos, diante da administração de Donald Trump, que tem relação próxima com o bolsonarismo. Integrantes do governo apontaram indícios de que Trump poderia interferir em favor de Flávio, o que não se concretizou na prática, deixando a suspeita sobre a atuação da Meta, investigada pelo TSE.

No cenário interno, o presidente eleito terá dois meses para aplacar tensões políticas e econômicas. Ele contará com o apoio de siglas como o PSD de Gilberto Kassab e o MDB, mas enfrentará um Congresso mais à direita e um Judiciário em convulsão, com clara divisão entre ministros lulistas e bolsonaristas.

Na economia, o mau humor do mercado com o caráter gastador do terceiro mandato de Lula pode se ampliar sem sinalizações de austeridade. Diferentemente de 2022, o Congresso não deve aprovar uma PEC que assine um “cheque em branco” para o governo de largada.

O futuro do bolsonarismo e a sucessão petista

A derrota de Flávio Bolsonaro abre uma disputa por protagonismo na direita. Sem mandato, o senador perderá espaço de articulação. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno, desponta como o nome natural para ocupar o vácuo até 2030. Apesar da derrota, o sobrenome Bolsonaro mostrou força, e o Congresso e os estados continuam com forte coloração à direita, mantendo viva a polarização que domina o país desde 2018.

Para o PT, a vitória evita uma hecatombe política. Agora, sem mandato constitucional após 2030, Lula terá de organizar sua sucessão, definindo o papel de seu vice, Geraldo Alckmin, e de nomes como Fernando Haddad. Nos bastidores, aliados especulam se o presidente optará por um mandato mais livre e inovador ou se sofrerá uma guinada final à esquerda, em meio à influência da primeira-dama, Janja.

Ao fim de seu quarto mandato, Lula terá passado 16 anos no poder, tornando-se o segundo político a ocupar a Presidência por mais tempo na história, atrás apenas de Getúlio Vargas.

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