Encontro no Rio de Janeiro foi dividido em temas regionais, escolhas mútuas e confronto livre, com checagem de fatos em tempo real e regras rígidas de movimentação no palco
Na noite desta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram no último debate antes do segundo turno, realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro foi estruturado em quatro blocos, alternando temas predefinidos e confronto direto, em uma tentativa de aprofundar propostas após o embate mais tumultuado da Band.
Regras e dinâmica
A emissora definiu regras específicas para conter embates físicos. Nos três primeiros blocos, apenas o candidato com a palavra podia circular pelo cenário; o adversário permanecia no púlpito. No quarto bloco, ambos puderam se movimentar, mas limitados a seus respectivos lados do estúdio. A ordem das perguntas foi sorteada ao vivo, e o g1 realizou checagem de fatos em tempo real.
Primeiro bloco: temas regionais
O bloco inicial foi dedicado a temas regionais e de infraestrutura nacional, com perguntas sobre regiões sorteadas. Flávio abriu o confronto questionando Lula sobre obras inacabadas. Em resposta, Lula ironizou a falta de profundidade do adversário: “Meu adversário parece aluno de vestibular. Eles conseguem decorar, mas não conseguem aprender”.
Na rodada sobre a região Norte, Flávio cobrou investimentos em saneamento básico. Lula rebateu dizendo que o senador “não conhece o Brasil” e citou o episódio da crise de oxigênio em Manaus durante a pandemia. O presidente também acusou o adversário de desconhecer a realidade da população mais pobre: “Ele não se importa com isso, porque ele vive em condomínio e não passa fome”.
Segundo e terceiro blocos: temas escolhidos
Nestes blocos, os candidatos escolheram temas de um telão, como dívida pública, inteligência artificial, meio ambiente e políticas sociais. Lula criticou duramente as propostas econômicas do rival: “Flávio não diz coisa com coisa”, afirmou, ao rebater a promessa de “tesouraço” nos gastos públicos. O petista ainda questionou: “Quem governa o Brasil é você ou o Google?”, após recomendar buscas sobre investimentos. Flávio, por sua vez, criticou a política econômica: “Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”.
Quarto bloco: tema livre e considerações finais
O bloco final concedeu oito minutos de fala livre a cada candidato, sem limite de intervenções. Flávio tentou se aproximar do eleitorado nordestino, afirmando que a região “não é problema, é solução” e prometendo ser “o carioca mais nordestino”. Já Lula focou na defesa de seu legado social e na comparação entre os governos.
Estratégias e expectativas
A performance de Flávio foi preparada para corrigir a postura repetitiva do debate anterior, com orientações do governador Tarcísio de Freitas para demonstrar domínio técnico e indignação. Lula, por sua vez, foi orientado a manter a calma e valorizar as realizações de seus governos, evitando que o debate se resumisse a trocas de acusações.
O confronto desta sexta-feira encerra a série de debates televisivos antes da votação de domingo (25), em um cenário de pesquisas apertadas e forte disputa pela migração de votos do primeiro turno.