Deputado federal cobra agregação de valor às matérias-primas baianas e alerta para a entrada de amêndoas africanas cultivadas com mão de obra análoga à escravidão e risco sanitário.
A retração da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e a vulnerabilidade da lavoura cacaueira no sul da Bahia pautaram duras críticas do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) nesta terça-feira (20). No programa Boa Tarde Bahia, transmitido em Salvador, o parlamentar defendeu políticas urgentes para reverter o perfil primário-exportador do estado e do país.
“O Brasil já teve 30% do seu PIB na indústria, hoje tem menos de 10%. Isso precisa voltar. A gente não pode ficar exportando o nosso cacau, os nossos minérios e agora as terras raras de maneira bruta, de maneira quase extrativista”, alertou Félix, criticando a lógica de vender minério de ferro barato e recomprar aço inoxidável a preços dez vezes maiores.
Ao tratar do setor cacaueiro — no qual mais de 80% dos imóveis são pequenas propriedades de até 20 hectares —, o deputado denunciou os prejuízos causados aos agricultores familiares pelo deságio nas cotações e pela importação desregrada da África. “Importam cacau de Gana e Costa do Marfim, países que utilizam mão de obra infantil, mão de obra assemelhada à escrava, e que têm problemas fitossanitários com a monilíase chegando. A gente termina exportando nosso cacau de melhor qualidade e importando de qualidade inferior”, protestou.