Durante agenda na capital baiana, vice-presidente rechaçou corte em benefícios de quem ganha salário mínimo e cobrou contenção de supersalários na administração pública
A revisão das despesas públicas não deve recair sobre as faixas mais vulneráveis da população que dependem do Regime Geral de Previdência Social. A advertência foi feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) nesta quinta-feira (15), durante reunião com empresários em Salvador, no Hotel Wyndham Hangar Aeroporto. Ao abordar as diretrizes do equilíbrio orçamentário do governo federal, Alckmin sustentou que o saneamento das contas precisa priorizar o corte de remunerações desproporcionais no funcionalismo e preservar o piso dos aposentados.
O ministro confrontou as opções técnicas de contenção de gastos e rejeitou propostas que pretendam desindexar ou subtrair recursos do piso previdenciário.
“Nós temos que fazer o ajuste fiscal. Podemos escolher: fazer o ajuste fiscal em cima do aposentado do INSS, que 70% deles ganham um salário mínimo — R$ 1.621 —, tirar R$ 40 dele? Idoso, problema de saúde, sem casa própria, tirar os R$ 40 dele? Nós vamos fazer em cima dos privilégios: salários de 300 mil, 400 mil, 500 mil reais, pagos pelos pobres através dos impostos indiretos”, sentenciou.
Citando Santo Agostinho, Alckmin defendeu firmeza moral na gestão do Estado e argumentou que a trajetória da dívida deve ser estabilizada pelo crescimento do Produto Interno Bruto associado à disciplina fiscal, reeditando os superávits primários obtidos nos mandatos anteriores de Luiz Inácio Lula da Silva. “O caminho é o PIB crescer e segurar despesa, e aí melhora a relação da dívida pública”, concluiu.