Ricardo Alban também pede ampliação do conteúdo local em leilão de baterias e defende convergência política para estimular investimentos
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu nesta quinta-feira (15) a ampliação dos investimentos em infraestrutura na Bahia e a adoção de medidas para fortalecer a indústria nacional. Durante encontro com empresários e autoridades em Salvador, ele apontou a falta de integração entre portos e ferrovias como um dos entraves à competitividade do estado.
“A indústria é a mola propulsora, está tocando uma cadeia evolutiva”, afirmou Alban, ao defender a retomada de uma política industrial de longo prazo. Para o dirigente, a atividade industrial é essencial para sustentar o crescimento econômico e promover o desenvolvimento social.
Ao mencionar o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), Alban destacou a importância da articulação entre o setor produtivo e o governo federal. Em tom bem-humorado, também manifestou preferência pela permanência de Alckmin no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio ou por sua eventual ida para o Ministério da Fazenda, em vez de uma possível transferência para a pasta dos Transportes.
O presidente da CNI defendeu ainda que o país supere as divisões políticas para construir uma estratégia econômica comum, independentemente do resultado eleitoral de 25 de outubro.
“Eu tenho o sonho de ver uma indústria sustentável, desenvolvida, competitiva no Brasil”, afirmou. “Nós precisamos de um Brasil único, nós precisamos de uma única nação”, acrescentou, ao defender a busca por convergências entre os diferentes setores políticos e econômicos.
Falta de integração logística preocupa indústria
Ao tratar dos desafios da Bahia, Alban destacou a necessidade de conectar os portos do estado à malha ferroviária. Segundo ele, a deficiência logística compromete a competitividade das empresas, eleva custos e reduz a capacidade de atrair novos investimentos.
“Nós não temos um porto conectado à ferrovia. Isso diz tudo”, afirmou.
Para o dirigente, a ampliação dessa integração poderia melhorar o escoamento da produção e fortalecer as cadeias produtivas instaladas no estado. Alban defendeu que os projetos avancem por meio da articulação entre governos, empresários e demais agentes envolvidos.
Ele também mencionou a necessidade de recuperar estruturas de apoio ao comércio exterior e à logística, incluindo uma zona de entreposto, como parte dos esforços para ampliar a competitividade baiana. O trecho da transcrição referente a essa proposta, porém, não permite identificar com segurança o modelo específico defendido pelo dirigente.
Alban defende conteúdo local em leilão de baterias
Outro ponto abordado foi a participação da indústria brasileira no mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecido pela sigla BESS. Alban defendeu que o governo avalie a ampliação das exigências de conteúdo local no leilão do setor, desde que a medida não comprometa a competitividade dos projetos.
“Por que não aumentar o conteúdo local, se entendermos que nós estamos capacitados a isso?”, questionou.
O dirigente citou empresas que investem ou atuam no segmento, como WEG, Moura e BYD, além da fabricante chinesa Windey, que anunciou uma fábrica de sistemas de armazenamento de energia em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
A defesa ocorre em meio à preparação do primeiro leilão brasileiro de reserva de capacidade voltado a sistemas de armazenamento por baterias. O certame com exigências de conteúdo nacional está previsto para dezembro de 2026, e as regras de nacionalização são um dos pontos centrais das discussões entre governo e fabricantes. CNN Brasil MegaWhat
A ampliação da participação nacional, na avaliação defendida por Alban, pode ajudar a consolidar uma cadeia produtiva local e aproveitar os investimentos já realizados pelas empresas. O desafio é estabelecer regras que estimulem a produção brasileira sem elevar excessivamente os custos nem restringir a concorrência.
Dirigente pede união entre setores políticos e econômicos
Ao final do discurso, Alban voltou a defender a cooperação entre governos, empresários e sociedade como condição para o desenvolvimento industrial. Para ele, o debate público precisa dar mais espaço à construção de consensos e menos à disputa permanente entre grupos políticos.
“É construindo pontos que incentivam a convergência, é construindo pontos que a gente se entende”, afirmou.
O presidente da CNI também criticou o que classificou como uma tendência de concentrar a atenção nos problemas, em vez de reconhecer avanços e oportunidades. “Quando enxergarmos o máximo possível o copo meio cheio”, disse, ao defender uma postura mais construtiva diante dos desafios econômicos do país.
Observação editorial: antes da publicação, vale confirmar com o áudio original dois pontos: a fala sobre o destino ministerial de Geraldo Alckmin, cuja transcrição mistura referências à Fazenda, aos Transportes e a outros nomes, e a menção à zona de entreposto, que pode se referir a um instrumento específico de logística ou comércio exterior. Mantive esses trechos sem atribuir a Alban detalhes que a transcrição não permite confirmar.