Em entrevista concedida nesta quarta-feira ao programa Boa Tarde, Bahia, da Band, o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, explicou os motivos que o levaram a declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial
Relembrando sua trajetória e o posicionamento de seu grupo político, Neto ressaltou que buscou manter a coerência ao longo do processo eleitoral. “Primeiro, os baianos me conhecem, sabem que as minhas decisões são todas buscando coerência, buscando, eh, compreender o que é o melhor para o futuro”, afirmou. Ele lembrou seu voto na primeira etapa do pleito: “Eu, no primeiro turno, apoiei Ronaldo Caiado e não me arrependo, e o meu voto esteve lá na urna para Ronaldo Caiado, que, na minha opinião, era o melhor dos nomes para presidir o Brasil”.
Com a definição do segundo turno, o líder político pontuou que se viu diante de um cenário polarizado entre a continuidade e a mudança. “Infelizmente, fomos para um segundo turno num quadro de polarização e temos duas opções. Eu só tinha duas escolhas a fazer: ou apoiar o atual presidente Lula, que busca mais uma reeleição representando um grupo que está há 20 anos no poder, ou então apoiar Flávio”, declarou.
Diálogo em Brasília e decisão de voto
ACM Neto revelou que esteve em Brasília logo após o resultado do primeiro turno para se reunir diretamente com o candidato da oposição. “E aí eu fui a Brasília, Vítor, logo na segunda-feira — a eleição foi no domingo, dia 4, dia 5, segunda-feira, eu fui a Brasília —, e tive uma conversa muito franca, muito transparente, muito sincere com o senador Flávio Bolsonaro. Eu queria saber as suas intenções, quais eram os seus projetos, como ele estava enxergando a Bahia e o Nordeste e, é claro, o Brasil”, detalhou.
Após a reunião, Neto afirmou ter tomado sua decisão com convicção: “E aí, Vítor, foi uma decisão, eh, muito tranquila, que eu tomei com o coração em paz, com a consciência absolutamente convencida de que era o caminho. Porque quando a gente olha a situação do Brasil e dos brasileiros hoje, a gente percebe que muitos problemas vividos pelo nosso povo estão diretamente relacionados a esses 20 anos de governos do PT”.
Críticas à economia, segurança e infraestrutura
Durante a entrevista, o político teceu duras críticas à gestão econômica e social do atual governo. Sobre os indicadores econômicos e o poder de compra da população, declarou: “A situação da economia: o Brasil tem uma das mais altas taxas de juros do planeta. Lula teve a oportunidade nos últimos 4 anos de fazer o ajuste fiscal, de organizar as contas públicas, eh, para que houvesse espaço de redução na taxa de juros e retomada de crescimento, assim como geração de emprego, e nada disso aconteceu. Ao contrário, a gente vê um presidente que, às vésperas da eleição, seja do primeiro, seja do segundo turno, eh, começa com uma série de promessas, medidas eleitoreiras, com um objetivo muito claro de enganar o eleitor”.
Neto complementou destacando a perda do poder aquisitivo das famílias brasileiras: “Quando a gente olha a situação do poder aquisitivo das famílias, quando as famílias vão ao supermercado, à padaria, à farmácia, o que compra hoje é menos do que comprava há um mês atrás, é menos ainda do que comprava há dois meses atrás. Por quê? Porque as famílias estão sufocadas, endividadas. No dia 5 do mês, para muitas famílias brasileiras, já não sobra mais um centavo”.
Na área da segurança pública, ressaltou o impacto direto vivido pelos baianos: “Quando a gente olha, Vítor, a situação da segurança pública, eles tiveram 20 anos para organizar a segurança no Brasil, para proteger o cidadão brasileiro, e não fizeram. Tá aqui a Bahia, principalmente, sente, com 5 das 10 cidades mais violentas do país”.
O vice-presidente do União Brasil também apontou o atraso em obras estratégicas de infraestrutura no estado. “Quando a gente olha a questão das grandes obras federais que foram prometidas e não realizadas — Ponte Salvador-Itaparica, as rodovias federais, a Ferrovia Oeste-Leste, o Porto Sul —, então, a pergunta que a gente se faz é a seguinte: qual é o melhor caminho? É o caminho de manter o que tá aí, que teve tantas chances, tantas oportunidades e as coisas não funcionaram bem, ou de dar oportunidade para algo novo?”
Compromisso com o Nordeste
Ao encerrar suas explicações, ACM Neto destacou a promessa feita por Flávio Bolsonaro voltada à região Nordeste. “E aí eu fiquei muito convencido pelas palavras do senador Flávio, do compromisso que ele tem com o Nordeste brasileiro e com a Bahia, em especial. Ele disse a mim: ‘Neto, eu quero entrar para a história como o presidente que mais trabalhou pelo Nordeste, até para desfazer mitos que foram criados de que somente o PT faz pelo Nordeste ou cuida do Nordeste'”, concluiu.