Parlamentar criticou a atuação de facções criminosas, citou dificuldades enfrentadas por empresários e afirmou que grupos ilegais ampliam o domínio sobre comunidades.
O vereador de Salvador Cezar Leite (PL) acusou o Estado de proteger o crime organizado e afirmou que grupos criminosos exercem influência sobre comunidades da capital baiana. A declaração foi feita nesta quarta-feira (14), durante entrevista à CBN Bahia, na qual o parlamentar também criticou as dificuldades enfrentadas por empresários para manter as atividades e cumprir obrigações trabalhistas e tributárias.
Ao abordar a atuação de facções criminosas, Cezar Leite afirmou que esses grupos ditam regras em comunidades de Salvador e mantêm relações com diferentes setores da sociedade. O vereador também alegou que integrantes do crime organizado estariam presentes em empresas constituídas na Bahia, sem apresentar detalhes ou provas dessas afirmações durante o trecho da entrevista.
“Se a gente tá pensando só no medo, se só tá colocando essa questão do poder paraestatal do criminoso, que hoje domina as comunidades em Salvador, que dita as regras hoje, que tem negociações formais em Salvador, como tem no Brasil todo. Onde você tem integrantes do crime organizado em várias empresas formadas aqui na Bahia”, declarou.
Vereador compara crime organizado e setor empresarial
Na sequência, o parlamentar comparou a atuação de grupos criminosos com as obrigações impostas aos empresários. Segundo ele, enquanto os empreendedores precisam cumprir exigências fiscais, sanitárias e trabalhistas, as organizações criminosas operam à margem dos mecanismos formais de controle.
“Um crime organizado, meu irmão, ele não vai para um tribunal de justiça, um crime organizado não vai no Ministério do Trabalho, o crime organizado não recebe atestado da UPA, do CAIS, que o aviãozinho que ficou doente. Mas o empresário vai”, afirmou.
Cezar Leite também destacou os custos enfrentados pelo setor produtivo e as dificuldades relacionadas à gestão de funcionários, incluindo faltas e despesas com demissões.
“O empresário paga imposto todo dia, o empresário é vigiado todo dia, o empresário, ele recebe vigilância sanitária, recebe TFFA para pagar, recebe imposto de tudo que é lado”, disse.
O vereador acrescentou que, na avaliação dele, as regras trabalhistas e os encargos financeiros tornam a manutenção dos negócios mais difícil, sobretudo para empresas com faturamento e lucros limitados.
Cezar Leite cita crescimento de 30% ao ano
Durante a entrevista, o parlamentar afirmou que o crime organizado cresce 30% ao ano, mas não especificou a fonte ou o período de referência do número apresentado.
“Mas o crime organizado hoje comanda, e só faz crescer 30% ao ano, esses são os números. 30% ao ano. E você tem um Estado hoje que protege o crime organizado, que assusta o empresário, que assusta a comunidade”, declarou.
Ao concluir, Cezar Leite questionou a capacidade do poder público de conter a expansão das organizações criminosas e garantir segurança à população e ao setor produtivo.
“Então, que país que a gente quer, cara? Que cidade a gente quer hoje?”, finalizou.