Carlos Henrique Passos analisou as taxas alfandegárias norte-americanas, mas apontou juros altos, burocracia e importações sem impostos como os principais entraves da indústria baiana.
Numa análise pormenorizada do comércio externo baiano, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, abordou os impactos das medidas proteccionistas internacionais e a vulnerabilidade da produção doméstica diante dos concorrentes estrangeiros. O dirigente comentou a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos baianos, que incide sobre aproximadamente um terço da pauta de exportações do Estado.
«Esperamos que o governo brasileiro formule uma defesa técnica consistente para rever essa tarifa punitiva norte-americana. Contudo, o problema estrutural mais grave da Bahia reside no Custo Brasil e na entrada desenfreada de manufacturados da Ásia e da China, que operam sob condições que as empresas brasileiras não conseguem igualar. Falamos do peso da carga tributária, dos juros exorbitantes, da morosidade burocrática e dos encargos da legislação laboral», elencou Passos.
O presidente da FIEB ilustrou o cenário com a crise que atinge os polos de calçado da Bahia em decorrência da chamada «taxa das blusinhas» e das brechas de isenção de importação. «Há cerca de dois meses, a Bahia importou mais calçado do que exportou. As indústrias locais geram emprego e pagam impostos, mas são forçadas a disputar o consumidor com artigos isentos. Proteger o mercado interno contra assimetrias fiscais é tão urgente quanto negociar as tarifas em Washington», alertou.