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Salvador coroa reeleição do 1° governador negro e indígena da Bahia; menino de ouro de Lula entrega maior votação do Nordeste e surpreende com vitória com maior frente entre governadores de esquerda do país

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O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito neste domingo (4) com 55,8% dos votos válidos, consolidando uma vitória histórica que o projeta como uma das principais lideranças do Nordeste.

Primeiro governador negro e autodeclarado indígena da história do Brasil, o petista venceu em 350 dos 417 municípios baianos e foi coroado em Salvador, onde obteve 44,51% dos votos — 630.677 votos —, um crescimento de 9 pontos percentuais em relação ao segundo turno de 2022, quando havia alcançado 35,5% na capital.

O desempenho na capital superou a votação de Rui Costa em 2014, que teve 42,04% dos votos válidos, mas ficou abaixo do percentual obtido por Jaques Wagner em 2010, quando o então governador alcançou cerca de 68% dos votos válidos em Salvador.

O resultado consagra a aposta feita pelo presidente Lula (PT), que já havia definido Jerônimo Rodrigues como seu “menino de ouro” ainda em outubro de 2025, durante entrevista às rádios Piatã FM e Salvador FM, quando cumpria agenda na Bahia para a inauguração da fábrica da BYD, em Camaçari.

“Sou muito grato ao Jerônimo, que é uma promessa política extraordinária. O Jerônimo é efetivamente um menino de ouro. Acho que a Bahia merece ter um governador da qualidade dele.”

Na época, a declaração de Lula foi amplamente repercutida pela imprensa baiana e passou a ser usada como síntese do reconhecimento presidencial ao trabalho do governador. Quatro anos depois daquela fala, o “menino de ouro” de Lula não apenas venceu como se reelegeu no primeiro turno, com uma votação superior à de sua primeira eleição e com desempenho recorde entre os governadores petistas reeleitos na Bahia.

Comparativo histórico em Salvador

Na comparação com as reeleições petistas na capital baiana, Jerônimo Rodrigues obteve a segunda maior votação percentual do PT em Salvador desde 2010, superando Rui Costa em 2014 e ficando atrás apenas de Jaques Wagner em 2010, quando o petista foi reeleito com ampla vantagem na capital. Os números consolidam o crescimento do governador em um território historicamente desafiador para o campo petista:

Eleição Candidato % em Salvador
2010 Jaques Wagner (PT) ~68%
2014 Rui Costa (PT) 42,04%
2026 Jerônimo Rodrigues (PT) 44,51%

A votação de Jerônimo representou um avanço expressivo sobre o principal reduto eleitoral de ACM Neto (União Brasil). O adversário venceu na capital com 54,32%, mas a diferença de 9,81 pontos percentuais foi a menor já registrada entre os dois em disputas na cidade, consolidando o crescimento do governador mesmo no território mais desafiador para o campo petista.

“Salvador, obrigado! A capital baiana reconheceu o trabalho que fizemos por toda a Bahia. Vamos seguir juntos, construindo um estado mais justo e mais desenvolvido”, declarou o governador após a confirmação da vitória.

De Aiquara ao Palácio de Ondina

A trajetória de Jerônimo Rodrigues é a história de um homem que rompeu barreiras sociais e políticas. Nascido em Aiquara, no interior da Bahia, em 3 de abril de 1965, filho de um vaqueiro e de uma costureira, cresceu estudando em escola pública antes de ingressar no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Cruz das Almas.

Filiado ao PT desde 1990, Jerônimo construiu sua carreira na administração pública antes de disputar sua primeira eleição, em 2022. Foi assessor na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação durante o governo Jaques Wagner, secretário do Planejamento e, posteriormente, secretário de Desenvolvimento Rural e secretário de Educação na gestão Rui Costa. No governo federal, durante a gestão Dilma Rousseff, ocupou funções no Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Quando chegou à disputa pelo governo em 2022, Jerônimo nunca havia ocupado um cargo eletivo. Quatro anos depois, volta às urnas com um mandato conquistado, uma ampla rede de alianças e a consolidação de sua liderança no estado.

O puxador de votos do Nordeste

A reeleição de Jerônimo Rodrigues teve impacto direto na votação do presidente Lula na Bahia. No estado, o petista teve seu segundo melhor desempenho no país, atrás apenas do Piauí, com 66% dos votos, e impulsionou a votação de Jerônimo para os 55,8% que garantiram a vitória no primeiro turno.

A performance de Jerônimo na Bahia o consolida como o “puxador de votos” do PT no Nordeste. Enquanto o partido conquistou a reeleição de governadores em três estados da região — Bahia, Ceará e Piauí —, a votação expressiva do governador baiano foi fundamental para a resistência vermelha nordestina.

Além disso, Jerônimo foi responsável por arrastar votos para toda a chapa governista. Os senadores Rui Costa (30,07%) e Jaques Wagner (27,65%) somaram 8,3 milhões de votos, cerca de 90% dos votos de que dispunham os eleitores de Jerônimo. O governador também contribuiu decisivamente para a eleição de deputados estaduais e federais da base governista em todo o estado.

As entregas da primeira gestão

A vitória expressiva de Jerônimo Rodrigues é o reconhecimento popular das entregas de sua primeira gestão. Em três anos e meio de governo, o petista entregou 740 escolas e 15 hospitais em toda a Bahia. Nenhum governador na história do estado havia entregado 100 escolas de tempo integral em apenas três anos de governo.

Na área da saúde, a gestão Jerônimo inaugurou o Hospital Estadual do Litoral Norte, com 220 leitos e atendimento oncológico, além de unidades em Barreiras, Teixeira de Freitas e outras regiões. Foram inaugurados centros de hemodiálise em Itabuna, Guanambi e Seabra, ampliando o acesso a tratamentos de alta complexidade no interior.

O governador também investiu pesadamente nos municípios baianos. “Pode perguntar a qualquer prefeito de cidade pequena. Nenhum deles tem menos de R$ 30 milhões investidos. Tem escola grande, pavimentação, água”, afirmou Jerônimo durante a campanha.

Os desafios da próxima legislatura

Reeleito, Jerônimo Rodrigues tem pela frente uma agenda de obras estruturantes que prometem transformar a infraestrutura e a mobilidade da Bahia nos próximos quatro anos.

Ponte Salvador-Itaparica: A obra mais emblemática da gestão, que se arrasta há anos, agora tem três canteiros em atividade — um em Maragogipe, um em Vera Cruz e outro na Baía de Todos-os-Santos, onde pilares já estão sendo instalados. O governador prometeu subsidiar a tarifa do sistema para evitar que o custo recaia sobre os usuários.

VLT do Subúrbio: O primeiro trem já chegou ao estado e os testes devem começar em breve. A expectativa é de que o equipamento amplie os trechos de São Joaquim até Itacaranha, atendendo a uma das regiões mais carentes de mobilidade de Salvador.

Expansão do metrô: Jerônimo prometeu ampliar o sistema metroviário, rebatendo as críticas da oposição que, segundo ele, “torcia contra o investimento”. “O metrô está rodando”, afirmou o governador.

Educação, saúde e segurança: O governador assume o segundo mandato com o compromisso de ampliar os índices de educação, expandir a rede de saúde e fortalecer a segurança pública, áreas que foram pilares de sua primeira gestão e que continuarão no centro das políticas públicas estaduais.

Salvador coroa a vitória

A vitória em Salvador foi o desfecho simbólico de uma campanha que começou com Jerônimo numericamente atrás nas pesquisas e terminou com uma vantagem de mais de 12 pontos percentuais sobre o adversário no estado. Na capital, o petista cresceu 9 pontos em relação a 2022, enquanto ACM Neto viu sua vantagem despencar em votos absolutos.

A capital baiana, que havia dado a ACM Neto 52,79% dos votos no primeiro turno de 2022 contra 36,88% de Jerônimo, assistiu a uma reversão significativa de cenário. O crescimento do governador em Salvador foi fundamental para consolidar a vitória no primeiro turno e demonstra que a gestão de Jerônimo conquistou espaço mesmo no território mais desafiador para o campo petista.

Com a reeleição, Jerônimo Rodrigues consolida o PT no comando da Bahia pelo sexto mandato consecutivo, o ciclo mais longevo de um mesmo partido à frente de um governo estadual no Brasil desde a redemocratização. E o faz com uma votação que superou em três pontos percentuais o desempenho do segundo turno de 2022, demonstrando que o governador não apenas manteve sua base, mas ampliou seu eleitorado.

“A Bahia é vermelha! A Bahia é de Lula! A Bahia é do povo!”, celebrou o governador ao lado do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos senadores eleitos Rui Costa e Jaques Wagner, em um palco que simboliza a força do campo progressista no estado.

Nota: A votação de Jaques Wagner em Salvador em 2010 foi estimada em aproximadamente 68% dos votos válidos, com base no número de 815 mil votos obtidos pelo petista na capital, conforme levantamento do jornal A Tarde à época. O percentual exato pode variar conforme o total de votos válidos registrados no município naquela eleição.

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