A educação pública de Camaçari ganhou, nesta sexta-feira (25), um novo reforço no compromisso com a alfabetização e com a construção coletiva do conhecimento. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), lançou o Programa Voluntários da Educação, durante solenidade realizada no Teatro Cidade do Saber.
A iniciativa contará com a participação de 500 estudantes do Ensino Médio, com idade mínima de 16 anos, que atuarão como monitores de leitura junto a alunos da rede municipal.
Para o prefeito Luiz Caetano, a iniciativa amplia a participação dos jovens na construção de uma educação mais colaborativa e fortalece valores que ultrapassam os limites da sala de aula. “Quando um estudante se dispõe a ensinar, ele também aprende. É uma experiência que trabalha o relacionamento, a união e a solidariedade. É esse espírito de colaboração que queremos fortalecer para construir uma sociedade mais justa”, afirmou.
A dinâmica do programa prevê que cada voluntário acompanhe um estudante durante uma hora semanal, podendo auxiliar até quatro alunos por semana. Antes de iniciarem as atividades, os participantes passarão por uma formação específica e contarão com o acompanhamento dos técnicos pedagógicos da rede municipal.
A preparação tem o objetivo de oferecer aos jovens as orientações necessárias para que possam contribuir de forma adequada com o desenvolvimento da leitura.
A proposta também considera a realidade dos próprios voluntários. Por isso, a orientação é que eles atuem, preferencialmente, em unidades de ensino próximas às suas residências. A medida facilita o deslocamento, estimula a participação dos estudantes e, ao mesmo tempo, fortalece a relação entre a escola e a comunidade em que está inserida.
O titular da Seduc, Márcio Neves, reforçou que o programa integra o conjunto de ações voltadas à garantia da alfabetização na idade adequada. “Sempre defendemos a alfabetização na idade certa, aos 7 anos, porque aprender a ler e escrever no tempo adequado é um direito de toda criança. Cada iniciativa que venha para somar a esse compromisso é extremamente importante. Hoje, estamos celebrando estudantes que assumem o papel de padrinhos dessas crianças, contribuindo para a aprendizagem e se tornando multiplicadores de saberes”, pontuou.
Mais do que uma ação de apoio pedagógico, o programa propõe uma experiência de troca. Ao acompanhar uma criança durante o processo de leitura, o estudante voluntário também desenvolve responsabilidade, empatia, comunicação e capacidade de trabalhar de forma colaborativa. A experiência aproxima diferentes etapas da trajetória escolar e cria uma rede de apoio em torno da aprendizagem.
Para Maria Eduarda Miranda, voluntária e presidenta do Grêmio Resistência do Colégio Estadual de Tempo Integral de Vila de Abrantes, participar da iniciativa significa transformar o conhecimento em uma ferramenta de contribuição social. “É um projeto incrível. A gente não aprende só na sala de aula. Também aprende ensinando, ajudando e compartilhando conhecimento com outras pessoas. Tenho certeza de que vamos fazer a diferença na vida de muitas crianças”, disse.
A atuação dos voluntários será realizada de forma orientada, com acompanhamento dos profissionais da rede. Dessa maneira, o programa busca aliar o entusiasmo e a disposição dos jovens à experiência pedagógica dos técnicos e professores, criando condições para que o trabalho de monitoria contribua efetivamente para o desenvolvimento dos estudantes atendidos.
A diretora pedagógica Alexandra Pereira da Silva ressaltou justamente essa dimensão de troca proporcionada pela iniciativa. “Este é mais um passo importante para a transformação da vida dos nossos estudantes. Cada voluntário terá a oportunidade de vivenciar uma emoção que nós, professores, conhecemos bem: a de acompanhar uma criança avançando na aprendizagem. Esses jovens serão multiplicadores de saberes e terão um papel importante nesse processo”, assegurou.
A escolha pela leitura como eixo central do programa reforça a importância dessa habilidade para toda a trajetória escolar. O domínio da leitura amplia o acesso ao conhecimento, favorece a autonomia dos estudantes e cria novas possibilidades de aprendizagem nas diferentes áreas do currículo.
Foto: Patrick Abreu