Em entrevista à Rádio Pontal FM de Itapitanga, candidato ao Senado lembrou que hospitais particulares nem sequer aceitam o Planserv na capital e questionou por que a oposição não aplicou o modelo em Salvador durante 14 anos de gestão.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira (23) à Rádio Pontal FM, de Itapitanga, no Sul da Bahia, o candidato a senador Rui Costa (PT) fez duras críticas à proposta de criação do “PIX Saúde”, principal bandeira veiculada na propaganda eleitoral do candidato a governador ACM Neto (União Brasil). Rui apontou a inviabilidade técnica da medida no interior do estado e acusou o adversário de tentar enganar a população com promessas que colidem com a realidade da rede médico-hospitalar baiana.
“Se alguém de Itapitanga tiver um infarto, adianta transferir para a conta dessa pessoa R$ 100? Como ela vai cuidar do pai ou da mãe infartando com R$ 100, R$ 200 ou R$ 500? Vai resolver? Tem algum hospital particular em Itapitanga ou na região que possa atender alguém infartado? Tem algum hospital privado que faça tratamento de câncer em Itapitanga? Não tem! Ele está mentindo para a população”, disparou o ex-ministro da Casa Civil.
Rui resgatou a sua experiência como chefe do Executivo estadual para demonstrar que o problema central não é a remuneração, mas a escassez de infraestrutura médica privada. “Quando fui governador, tentei contratar hospitais privados em Salvador para atender o Planserv, que é o plano de saúde dos servidores estaduais. Chamei a Rede D’Or, que hoje controla os principais hospitais da capital, e ofereci contrato para atender pelo Planserv, que paga quase três vezes o valor da tabela do SUS. E eles não quiseram atender! O problema é a falta de oferta de serviço. Apenas São Paulo tem ampla rede privada; na Bahia, fora de Salvador, os hospitais privados não têm suporte para alta complexidade oncológica ou cardíaca”, pontuou.
O ex-governador também cobrou coerência da oposição ao confrontar a proposta com a situação da capital baiana. “Ele foi prefeito por oito anos e o grupo dele governa Salvador há 14 anos. Salvador tem autonomia plena da saúde e recebe R$ 1 bilhão do SUS por ano. Por que ele não implantou o ‘PIX Saúde’ em Salvador? A prefeitura da capital só tem dois hospitais municipais e nenhum dos dois atende emergência de porta aberta! Se uma pessoa passar mal na rua em Salvador, só tem os hospitais do Estado para recorrer. Essa proposta de ‘PIX Saúde’ é esdrúxula e perigosa: vai dar R$ 100 para o cidadão se virar e vai morrer um bocado de gente”, concluiu Rui Costa.