Na TV Aratu, senador sustentou que governo Bolsonaro trocou o diálogo político pela distribuição indiscriminada de verbas e defendeu decisões moralizadoras do ministro Flávio Dino.
O modelo de partilha do orçamento federal foi alvo de reflexão do senador Jaques Wagner (PT-BA) no programa Eleições na Aratu 2026. Instado pelo jornalista Maurício Leiro sobre os atritos entre o Congresso Nacional e o STF quanto à execução de emendas individuais e de bancada, Wagner afirmou que o atual volume de R$ 55 bilhões reservado aos parlamentares representa uma distorção perigosa do regime representativo.
“A situação atual das emendas é uma distorção completa na relação entre os Poderes. O Executivo é quem executa o orçamento planejado; o Legislativo fiscaliza e elabora as leis. No governo Bolsonaro, pela ausência do exercício da boa política, resolveu-se trocar a política pela oferta desenfreada de dinheiro. Não sou contra a emenda parlamentar — fui deputado federal e tinha emendas —, mas não nessa volumetria de R$ 55 bilhões”, advertiu o senador.
Wagner apontou a perda de foco nacional nas políticas públicas decorrente da hipertrofia orçamentária do parlamento. “Com esse volume excessivo, o parlamentar acaba agindo como um prefeito na capital ou intermediário isolado de verbas municipais. Claro que os prefeitos gostam quando o recurso chega, mas o sistema perde a visão de conjunto e o planejamento estrutural de longo prazo”, pontuou.
O líder governista elogiou as medidas cautelares adotadas pelo Judiciário para impor rastreabilidade aos repasses. “Lutei muito contra o chamado ‘orçamento secreto’. O ministro Flávio Dino atuou com rigor ao exigir transparência, porque víamos aberrações de parlamentares de estados do Norte indicando emendas para municípios do Rio Grande do Sul sem qualquer vínculo eleitoral ou social. Espero que na próxima legislatura possamos repactuar essas regras para resgatar o equilíbrio orçamentário”, concluiu.