Convênio firmado com a administração municipal prevê quatro unidades no município e soma R$ 1,1 milhão; primeira parcela foi repassada em abril, mas equipamentos continuam de portas fechadas.
Contemplado pelo Governo do Estado com quatro unidades de cozinhas comunitárias do programa Bahia Sem Fome, o município de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, ainda não iniciou a operação dos equipamentos destinados ao combate à insegurança alimentar. A demora na entrega do serviço ocorre mesmo após a liberação da primeira parcela dos recursos estaduais aos cofres municipais, gerando questionamentos sobre a celeridade e a execução administrativa do convênio.
Os dados oficiais do convênio estipulam um valor global de R$ 1.159.200,00 para a implantação e o custeio contínuo das quatro cozinhas, com a previsão de fornecer alimentação balanceada diária a cerca de 800 famílias em situação de extrema vulnerabilidade social no município. Do montante contratado, a primeira parcela — no valor de R$ 436.500,00 — foi repassada pela gestão estadual em 24 de abril deste ano. Contudo, passados quase cinco meses da transferência bancária, os locais seguem inativos.
A execução do programa no âmbito municipal cabe à estrutura da Prefeitura de Dias d’Ávila, comandada pelo prefeito Alberto Castro (PSDB), por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura, pasta gerida pelo secretário Ivan Luiz Silva Lima. O município, inclusive, figura entre as cidades sob acompanhamento de rotina de órgãos de fiscalização, a exemplo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA), no que tange ao cumprimento de metas e aplicação de convênios governamentais.
A falta de funcionamento dos polos alimentares também abriu margem para especulações nos bastidores políticos locais. Lideranças comunitárias e setores da oposição municipal questionam se haveria uma deliberação política em protelar a inauguração das unidades para evitar que uma das principais marcas sociais da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ganhasse visibilidade na cidade durante o período eleitoral. Por outro lado, há quem aponte eventuais entraves logísticos, trâmites de compras públicas de insumos ou adequações físicas dos imóveis selecionados como possíveis justificativas para o atraso.
Para além das disputas de palanque ou narrativas partidárias, o fato objetivo é o impacto social direto: a indefinição no cronograma de abertura afeta diretamente centenas de moradores que dependem da rede de proteção alimentar para ter comida no prato todos os dias.
Procuradas pela reportagem para esclarecer a destinação dos recursos já transferidos, a prestação de contas dos valores e a data definitiva para a inauguração das quatro cozinhas comunitárias, a Prefeitura de Dias d’Ávila e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura não responderam aos pedidos de posicionamento até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para os esclarecimentos e manifestações oficiais de todos os envolvidos.