Senador lamenta distância após 39 anos de amizade com o presidente estadual do PSD, mas afirma ter sido excluído de chapa ‘puro-sangue’ do governismo
Após romper com a base do governo baiano e migrar para a oposição liderada por ACM Neto (União Brasil), o senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) afirmou nesta terça-feira (22) que a convivência com o senador Otto Alencar (PSD-BA), seu aliado histórico, “reduziu praticamente a quase zero”.
Em sabatina concedida à Rádio Sociedade, Coronel relembrou a amizade de quase quatro décadas com o dirigente do PSD, mas deixou claro que o desgaste político deflagrado em janeiro — quando foi preterido na disputa pela reeleição na chapa governista — selou o afastamento entre os dois.
“Uma amizade de 39 anos não vai embora assim do dia para a noite. Quando foi deflagrado esse processo de não me dar a legenda para eu ir para a reeleição, foi em janeiro, então nós estamos aí há nove meses; a convivência reduziu bastante, praticamente quase a zero. Só tive com o senador Alencar em duas oportunidades. Da minha parte, não tenho nenhum ressentimento; claro, a gente não deixa de ter mágoas, porque uma amizade de 39 anos não são 39 dias”, declarou o senador.
Críticas à ‘chapa puro-sangue’ e nova aliança
Coronel justificou sua mudança para o grupo oposicionista afirmando que não havia espaço para sua candidatura no bloco formado pelo PT e pelo PSD no estado. Em tom crítico, o parlamentar ironizou a composição formada pela cúpula governista para o pleito deste ano.
“O senador Otto Alencar resolveu continuar lá apoiando o grupo do PT, eu não concordei, saí, e isso é normal. Faz parte da democracia, faz parte do rito político: você não é obrigado a ficar num lugar onde não lhe querem. E como não me quiseram como candidato à reeleição — que estavam querendo, e depois resolveram fazer a famosa ‘chapa puro-sangue’ —, e talvez por eu ser mestiço não me comportava naquela chapa puro-sangue, é por isso que estou aqui seguindo uma outra trilha política ao lado de ACM Neto”, afirmou.