Cientista político compara cenário brasileiro ao padrão de disputas apertadas dos EUA e aponta desempenho de Lula abaixo de 2022
As eleições de 2026 caminham para disputas mais acirradas, com margens menores entre os principais candidatos e maior possibilidade de segundo turno, na avaliação do cientista político Antonio Lavareda. Segundo ele, o Brasil passou a reproduzir um padrão observado em eleições nacionais dos Estados Unidos, marcadas por diferenças mais estreitas entre os concorrentes.
Lavareda citou como exemplo a eleição presidencial norte-americana de 2024, vencida por Donald Trump contra Kamala Harris. Embora Trump tenha conquistado o voto popular pela primeira vez em suas três disputas presidenciais, a vantagem foi de cerca de 1,5 ponto percentual: 49,8% contra 48,3% de Harris.
Disputas mais apertadas
Para Lavareda, esse padrão também começa a aparecer nas eleições estaduais brasileiras. Ele ressalvou, porém, que o fenômeno não deve se repetir de maneira uniforme em todo o país.
Em São Paulo, por exemplo, pesquisas recentes mostram uma vantagem mais ampla para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Levantamento Real Time Big Data divulgado nesta segunda-feira (21) apontou 53% para Tarcísio e 38% para Fernando Haddad (PT) no primeiro turno.
Na maior parte das disputas, entretanto, o cientista político avalia que a tendência é de maior equilíbrio entre os candidatos e, consequentemente, de eleições decididas em segundo turno.
Lula abaixo de 2022
Lavareda também chamou atenção para o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na atual corrida presidencial. Segundo ele, o petista chega a este momento da campanha em situação inferior à registrada no mesmo período de 2022.
A comparação com pesquisas de setembro daquele ano mostra, de fato, uma diferença importante. Segundo levantamento feito pelo Poder360, Lula tinha 47,9% dos votos válidos no Datafolha em meados de setembro de 2022, contra 35,1% de Jair Bolsonaro. No mesmo período de 2026, o cenário aparece muito mais equilibrado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21), por exemplo, apontou Lula com 37% e Flávio com 33% no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 42% para Flávio e 41% para Lula.
“Pode ser dito aqui, nesse momento que nós conversamos, o desempenho do presidente Lula é inferior ao desempenho que ele marcava, que ele obtinha à mesma altura quatro anos atrás”, afirmou Lavareda.
Para o cientista político, os próximos dias de campanha serão decisivos para verificar se esse padrão de disputas mais apertadas se mantém até a votação.