Cientista político aponta três temas que podem ganhar peso na reta final da disputa: caso Master, fraudes no INSS e ações de Trump
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) já entrou no radar da eleição de 2026 e pode influenciar o debate político na reta final da campanha, na avaliação do cientista político Antonio Lavareda. Para ele, três fatores vêm se alternando em importância ao longo da disputa: as investigações relacionadas ao Banco Master, o escândalo das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a atuação do governo de Donald Trump em relação ao Brasil.
Lavareda afirma que os temas ganham ou perdem protagonismo conforme surgem novos fatos. “A cada momento um emerge mais, ou seja, tem maior saliência do que os demais, mas depois é substituído pelo outro e depois pelo outro”, explicou.
Caso Master
O primeiro eixo citado pelo cientista político é o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a rede de relações políticas e institucionais revelada pelas investigações.
O episódio também chegou ao STF. Em setembro, o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria de processos relacionados ao caso e a investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Em sessão extraordinária, os ministros chegaram a discutir se processos relacionados ao episódio deveriam tramitar conjuntamente, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino.
Fraudes no INSS
O segundo fator apontado por Lavareda é a investigação sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O caso também passou a tramitar no STF, após Fachin determinar a remessa à Presidência da Corte de processos relacionados às fraudes.
Na avaliação do cientista político, a repercussão política do episódio se soma às discussões sobre as relações entre agentes públicos, instituições e pessoas envolvidas nas investigações.
Trump no radar
O terceiro elemento citado por Lavareda é externo às instituições brasileiras: a política do governo Donald Trump em relação ao Brasil.
O cientista político menciona sanções, tarifas e outras medidas adotadas ou discutidas pelos Estados Unidos como um fator capaz de produzir novos fatos durante a campanha. Segundo ele, essas ações também podem ter reflexos sobre o ambiente eleitoral brasileiro.
A atuação de Washington já entrou no debate político. Reportagens recentes apontam que o governo Trump monitora a crise no STF e avalia novas sanções contra Alexandre de Moraes e aliados.
Para Lavareda, portanto, a eleição de 2026 chega à reta final com uma agenda que pode mudar rapidamente de foco conforme novas decisões judiciais, desdobramentos das investigações ou medidas do governo norte-americano sejam anunciadas.