Cientista político destaca fragmentação da direita e concentração da esquerda na disputa presidencial de 2026
O cientista político Antonio Lavareda afirmou que as eleições presidenciais de 2026 apresentam uma configuração inédita desde a redemocratização, com a esquerda concentrando sua candidatura competitiva em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o campo da direita chega à disputa com diferentes nomes.
A análise foi feita nesta segunda-feira (21), durante o evento “Diálogos que Transformam”, promovido pela Associação Comercial da Bahia (ACB), no Palacete Tirachapéu, no Centro Histórico de Salvador.
“Você vê que talvez seja a primeira eleição da Nova República na qual a esquerda tem apenas um candidato competitivo”, afirmou Lavareda.
Direita chega com vários nomes
Na avaliação do cientista político, a configuração de 2026 contrasta com eleições anteriores, nas quais diferentes candidaturas competitivas disputavam espaço dentro do campo progressista.
Lavareda citou nomes de partidos como PSD, Novo e Missão como exemplos da diversidade de candidaturas que disputam o eleitorado situado à direita.
O Tribunal Superior Eleitoral registrou 13 pedidos de candidatura à Presidência em 2026. Entre os nomes estão Lula, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), além de candidatos de partidos como PCB, PSTU e Unidade Popular.
Lula concentra alianças
Segundo Lavareda, enquanto diferentes nomes se apresentam pelo campo da direita, Lula reúne uma ampla coalizão partidária em torno de sua candidatura à reeleição.
Levantamento publicado pela imprensa mostra que a chapa de Lula é a única da disputa presidencial formada por candidatos de partidos diferentes, com o presidente pelo PT e Geraldo Alckmin pelo PSB. A coligação reúne ainda outras legendas e federações.
A configuração também produz uma diferença relevante no tempo de propaganda eleitoral. Lula está entre os candidatos que têm acesso ao horário eleitoral gratuito, enquanto nomes como Zema e Renan Santos não contam com coligações de partidos que superaram a cláusula de desempenho na eleição anterior.
‘Aliança nucleada pelo presidente Lula’
Na leitura de Lavareda, o cenário eleitoral deste ano consolidou uma concentração do campo de esquerda em torno do atual presidente.
“Então você tem essa onda saída desde 2024, se espraiando esse ano de 2026. Você tem o candidato do PSD, você tem candidatos do Novo, você tem candidatos do Missão, você tem candidatos significativos disputando a eleição, ao passo que a esquerda só conta [com a] aliança e coligação nucleada pelo presidente Lula”, afirmou.
A análise ocorre na reta final da campanha presidencial, com diferentes candidaturas disputando o eleitorado nacional e Lula buscando um novo mandato no Palácio do Planalto.