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Antônio Lavareda vê ‘vantagem do incumbente’ em reajuste do Bolsa Família

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Cientista político afirma que medida de Lula às vésperas da eleição revela preocupação com cenário eleitoral

O cientista político Antonio Lavareda avaliou que o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas das eleições de 2026 evidencia o que a ciência política chama de “vantagem do incumbente”. A análise foi feita nesta segunda-feira (21), durante o evento “Diálogos que Transformam”, promovido pela Associação Comercial da Bahia (ACB), no Palacete Tirachapéu, em Salvador.

Segundo Lavareda, a expressão se refere à possibilidade de um governante que disputa a reeleição utilizar políticas públicas e ações de governo durante o período eleitoral.

“O que é a vantagem do incumbente? É a possibilidade de utilizar, de lançar mão de políticas públicas até a última hora em função dos seus interesses eleitorais”, afirmou.

Reajuste ocorre antes da eleição

O governo anunciou em 17 de setembro um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a correção recompõe a inflação medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

Para Lavareda, independentemente da discussão sobre a legitimidade da medida, o momento escolhido demonstraria preocupação do governo com a disputa eleitoral.

“Se não é exatamente desespero, pelo menos revela uma grande preocupação do presidente que busca a reeleição com os números que as pesquisas têm lhe reservado”, declarou.

O governo, por sua vez, sustenta que o reajuste é uma atualização prevista na legislação do programa e tem como objetivo preservar o poder de compra dos beneficiários. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a medida como atualização dos valores mediante critério objetivo de correção monetária.

‘Eleição muito acirrada’

Lavareda também avaliou o cenário da disputa presidencial e afirmou que, em sua leitura, a eleição nacional está marcada por forte equilíbrio.

“De fato, é uma eleição muito acirrada. Grosso modo, podemos dizer que a eleição, nesse momento, está no empate técnico”, afirmou.

Na avaliação do cientista político, a utilização de medidas de governo durante uma campanha de reeleição não é um fenômeno exclusivo de Lula.

“Outros presidentes já lançaram [mão disso]. Não se discute a maior ou menor legitimidade disso”, declarou.

Para Lavareda, entretanto, a adoção de medidas próximas ao pleito pode ser interpretada como um sinal de atenção do governo diante da disputa pela permanência no Palácio do Planalto.

“Isso revela uma enorme preocupação do governo com a possibilidade de eventualmente se ver frustrada a tentativa de reeleição do presidente”, afirmou.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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