Em entrevista à BandNews FM, presidente da CCJ explicou que ligações intermediadas por advogado tratavam de alteração no Fundo Garantidor de Créditos na PEC do Banco Central, reforçou recusa ao pleito e frisou não ser alvo de investigação.
Em entrevista concedida ao jornalista Victor Pinto na rádio BandNews FM Salvador, o senador Otto Alencar (PSD-BA) detalhou os contatos mantidos com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, após a divulgação de relatórios da Polícia Federal que citam seu nome em mensagens extraídas do celular do banqueiro. O parlamentar confirmou ter dialogado por telefone com o empresário em duas ou três ocasiões intermediadas pelo advogado Ciro Soares, mas enfatizou que rejeitou integralmente a demanda legislativa apresentada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Otto explicou a relação com o advogado Ciro Soares, apontado nas apurações policiais como a ponte entre o gabinete e o banqueiro. “Ciro Soares é advogado do PSD, foi meu advogado eleitoral em algumas oportunidades. Morou próximo de mim muitos anos e, naquele período, era advogado do Daniel Vorcaro. Duas ou três vezes ele ligou para o Daniel para eu falar com ele. Eu realmente falei com ele e o assunto era um apoio à emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira para aumentar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, coisa que eu não aceitei apoiar”, esclareceu o congressista.
De acordo com o presidente da CCJ, a proposta de alteração no limite de garantia aos depositantes havia sido inserida como emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central. Ao constatar a inviabilidade técnica e política da medida em diálogo com o relator da matéria, senador Plínio Valério (PSDB-AM), Otto barrou a tramitação do dispositivo no colegiado. “Conversei com o Daniel que não tinha nenhuma condição de apoiar ou aprovar isso. Eu até não coloquei a matéria nem em votação na época na CCJ. Essa emenda do Ciro Nogueira foi colocada na PEC do Banco Central e eu nem sequer pautei para votar”, ressaltou.
O senador fez questão de frisar que sua menção nos autos se restringe a trocas de mensagens entre terceiros e que inexiste qualquer procedimento apuratório contra a sua conduta. “Conversei com o Daniel Vorcaro sobre esse tema específico, mas sequer sou investigado. Não tenho essa relação próxima que diz na matéria publicada pelo jornal O Globo. Inclusive, reiterei isso ao jornalista que me questionou: não sou conselheiro absolutamente de ninguém”, finalizou.