Em reunião com militantes, deputado federal petista revelou alerta direto enviado ao governador e criticou gestores municipais que liberam secretários e vereadores para a oposição.
O deputado federal Jorge Solla (PT) expôs publicamente um cenário de infidelidade partidária e cobrança interna na base governista da Bahia nesta reta final de campanha eleitoral. Em gravação durante encontro com apoiadores e lideranças comunitárias que circulou nas redes sociais, o parlamentar denunciou a prática de “jogo duplo” por parte de prefeitos do interior que declaram alinhamento institucional a Jerônimo Rodrigues (PT), mas operam nos bastidores em benefício do candidato oposicionista ACM Neto (União Brasil).
Solla afirmou que o movimento tem sido detectado em várias cidades e revelou ter levado a gravidade do quadro diretamente ao Palácio de Ondina. “Olha o que tá acontecendo… Hoje mesmo mandei até uma mensagem pro governador com informação de alguns municípios. A maioria dos prefeitos que ficam fazendo juras de amor para o governador não botaram a campanha na rua”, disparou o parlamentar, contestando a mobilização das máquinas municipais na propaganda e nas ruas.
De acordo com o petista, a estratégia de dissimulação de alguns chefes de Executivo local inclui a divisão velada dos seus próprios quadros administrativos e bancadas na Câmara de Vereadores. “E mais, e mais: eles dizem que apoiam o governador e botam os secretários, botam os vereadores fazendo campanha para ACM Neto”, afirmou Solla, apontando também que gestores aliados mantêm dobradinhas eleitorais com parlamentares que atuam na oposição estadual. “E aqueles que dizem que vão apoiar Jerônimo estão com deputados que estão contra”, sentenciou.
A advertência enfática de Jorge Solla acendeu o sinal de alerta entre os articuladores da coligação governista a duas semanas da votação. A avaliação nos bastidores é de que a cobrança pública busca pressionar os gestores municipais a assumirem protagonismo efetivo nos palanques de Jerônimo Rodrigues e Lula, evitando o esvaziamento da militância no interior e o avanço silencioso da campanha adversária em municípios estratégicos do estado.