Ex-governador apontou que sobrecarga da regulação decorre da ausência de hospitais municipais em grandes cidades baianas e cobrou responsabilidade primária de gestores locais.
A sobrecarga e os gargalos do sistema estadual de regulação hospitalar foram contextualizados pelo candidato ao Senado Rui Costa (PT) durante sabatina transmitida em rede estadual pela Rádio Boa FM na manhã desta quarta-feira (9). Em resposta aos ouvintes de Irecê e Xique-Xique, o ex-governador sustentou que o estrangulamento dos leitos de alta complexidade do estado é resultado direto da omissão de prefeituras de grandes centros urbanos, que não constroem hospitais municipais nem unidades de pronto atendimento.
Rui traçou um comparativo entre as estruturas hospitalares públicas de outras unidades da Federação para demonstrar a assimetria do modelo baiano. “Rio Grande do Sul: sabe quantos hospitais estaduais tem o estado do Rio Grande do Sul? Três. Qual é a população do Rio Grande do Sul? 11 milhões. A Bahia tem 15 milhões e tem 56 hospitais estaduais. É o segundo maior número de hospitais estaduais do Brasil, só fica atrás de São Paulo, que tem 94. A Bahia é a quarta população, mas tem o segundo maior número de hospitais”, destacou.
O petista explicou a dinâmica que permite ao estado sulista operar com baixa dependência da rede estadual direta: “E qual é a diferença? Como é que o Rio Grande do Sul consegue atender 11 milhões de pessoas com três hospitais estaduais? Porque lá os hospitais municipais funcionam, ou hospitais filantrópicos geridos pelos municípios funcionam”.
Em contraponto, Rui criticou a carência de equipamentos municipais no território baiano. “Uma cidade do tamanho de Feira de Santana, do tamanho de Vitória da Conquista, do tamanho de Jequié, não tem um hospital municipal, não tem UPA municipal suficiente. Qualquer coisa simples que o paciente tenha, tem que ir lotar o hospital estadual, que deveria ser para os casos mais complexos. Virou demagogia de quem nunca fez criticar a saúde pública do estado”, disparou.