Senador afirma que Flávio Bolsonaro está no centro das suspeitas e atribui fechamento do banco ao governo Lula
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta segunda-feira (8) que as investigações envolvendo o Banco Master precisam avançar para identificar todos os envolvidos e eventuais beneficiários do esquema. Ao comentar denúncias sobre pagamentos milionários e relações financeiras entre empresários e aliados políticos, o petista afirmou que, no caso do senador Flávio Bolsonaro (PL), já haveria elementos suficientes para colocá-lo no centro das suspeitas.
“Muita gente precisa esperar a investigação total para saber quem é que está metido nessa história. Mas, no caso do Flávio Bolsonaro, sem dúvida nenhuma. É muito dinheiro”, afirmou Wagner.
O senador também criticou as declarações de Flávio Bolsonaro sobre sua relação com os fatos investigados. Segundo Wagner, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria apresentado versões diferentes à medida que novas informações vieram a público.
“Primeiro ele disse que nunca tinha visto, depois foi obrigado a reconhecer que viu. Depois disse que nunca tinha pedido”, declarou.
Wagner afirmou ainda que as apurações podem alcançar outros políticos ligados ao Centrão e citou a possibilidade de identificação de beneficiários de recursos.
“Provavelmente vai ser descoberto outras pessoas do Centrão recebendo muita grana”, disse.
Críticas ao Banco Central
Durante a entrevista, Wagner apresentou sua versão sobre a trajetória do Banco Master e atribuiu responsabilidades distintas às gestões do Banco Central durante os governos de Jair Bolsonaro e Lula.
Segundo o senador, o Banco Central não teria autorizado, durante o governo Michel Temer, que Daniel Vorcaro se tornasse banqueiro. Wagner mencionou uma decisão tomada em fevereiro de 2019 e afirmou que, meses depois, em setembro daquele ano, o banco já estava em funcionamento.
“Funcionou com o Banco Central de Bolsonaro, fechou com o Banco Central do Lula”, afirmou.
Para Wagner, a decisão de interromper as atividades do Banco Master partiu do atual governo, por meio do Banco Central.
“Quem encerrou o negócio do Master foi o presidente Lula, através do Banco Central”, disse.
O senador também atribuiu ao Banco Central comandado por Roberto Campos Neto, durante o governo Bolsonaro, a responsabilidade pela criação e viabilização da instituição financeira.
“Quem criou, quem viabilizou o Banco Master chama-se Banco Central Roberto Campos Neto, indicado pelo Bolsonaro. Quem fechou o Banco Master foi Galípolo, presidente do Banco Central, indicado por Lula”, afirmou.
Recursos de estados
Wagner também relacionou as investigações às aplicações realizadas por governos estaduais e fundos de previdência no Banco Master. Segundo ele, recursos de mais de dez estados foram depositados na instituição e é necessário identificar quais administrações eram responsáveis pelos investimentos.
“Tem mais de 10 estados depositados. Vá perguntar de quem é os governos desses estados. O principal foi Rio, é deles. O outro foi Brasília, é deles”, declarou.
Ao final, o senador defendeu o avanço das investigações para esclarecer a extensão do caso e identificar os responsáveis.
“Vamos pegar a visão”, afirmou Wagner, ao defender que a sociedade acompanhe o andamento das apurações.