O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, defendeu uma atuação mais integrada entre prefeitos e os governos estadual e federal para acelerar as medidas de enfrentamento aos efeitos do El Niño na Bahia. A declaração ocorreu durante um debate sobre ações para reduzir os impactos do fenômeno climático nos municípios baianos.
Cardoso criticou a demora na execução de medidas solicitadas pelos municípios e afirmou que, em alguns casos, quando a solução chega, o problema já provocou grandes prejuízos à população.
“Reunião, reunião. E depois a solução, ou nem chega às vezes. E quando vem chegar, já morreu metade do rebanho, já morreu metade”, afirmou.
Para o presidente da UPB, a articulação entre os municípios é fundamental para aumentar a força das cobranças e garantir respostas mais rápidas. Ele defendeu que os gestores trabalhem de forma conjunta com os governos estadual e federal.
“A gente tem que estar de mãos dadas. Nos municípios, nossa força são vocês, a nossa união. E de mãos dadas com o Governo Estadual e Federal”, disse.
Comissão permanente
Wilson Cardoso também apoiou a criação de uma comissão para acompanhar as demandas relacionadas ao enfrentamento do El Niño. A proposta é reunir representantes de diferentes regiões da Bahia para monitorar as ações e verificar semanalmente quais solicitações foram atendidas.
Segundo ele, a comissão deve ter participação efetiva dos municípios e acompanhar de perto a execução das medidas.
“A gente vai ter uma reunião semanal pra ver se chegou, se não chegou, se teve severidade, se não teve. Isso combina com a gente”, declarou.
A ideia, de acordo com Cardoso, é formar uma representação regionalizada, com prefeitos de diferentes partes do estado, para que as demandas sejam acompanhadas de maneira contínua.
Poços e abastecimento de água
Durante o debate, o presidente da UPB também tratou da necessidade de acelerar a utilização de poços como alternativa para garantir o abastecimento de comunidades afetadas pela estiagem. Ele citou municípios que já possuem recursos para a perfuração e defendeu que essas estruturas sejam aproveitadas de forma emergencial.
Uma das alternativas apresentadas foi a instalação de pontos de abastecimento próximos aos poços, permitindo que caminhões-pipa reduzam as distâncias percorridas para buscar água.
“Se tiver muita distância, faz um chafariz ali no poço, na beira do poço, que o caminhão-pipa abastece ali. Diminui a distância pra pegar água”, explicou.
Cardoso também defendeu uma atuação conjunta para levar água a comunidades mais distantes dos pontos de captação.
“Se está mais profundo, 10 ou até 6, 7 quilômetros, nós entramos […] buscando”, afirmou.
Para o presidente da UPB, a estratégia é evitar que a população fique esperando por soluções de longo prazo enquanto enfrenta problemas imediatos de abastecimento. A proposta é combinar ações emergenciais, como o uso de caminhões-pipa e pontos de distribuição, com investimentos estruturantes para garantir segurança hídrica aos municípios.