O candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, afirmou nesta terça-feira (1º), durante entrevista à Rádio Piatã FM, que não teve participação no ato político realizado na última sexta-feira, em São Cristóvão, em Salvador, que envolveu duas mulheres seminuas. O episódio repercutiu nas redes sociais e foi associado à campanha do candidato.
Questionado sobre o caso e sobre propostas para combater a violência contra as mulheres na Bahia, Neto negou envolvimento com a manifestação e afirmou repudiar o uso do corpo feminino em campanhas eleitorais.
“Eu repudio completamente qualquer tipo de utilização do corpo da mulher ou da exploração do corpo feminino com o propósito de campanha eleitoral ou de qualquer outra coisa”, declarou.
Segundo o candidato, as duas mulheres teriam sido mobilizadas por uma liderança política local sem conhecimento da campanha. Neto afirmou ter sido surpreendido pelo episódio.
“A gente não tinha nenhuma responsabilidade sobre o que aconteceu na passeata em São Cristóvão, na última sexta-feira. Eu fui tão surpreendido quanto a imprensa”, afirmou.
ACM Neto propõe auxílio de até dois anos para vítimas
Durante a entrevista, ACM Neto apresentou o programa Volta por Cima, que, segundo ele, seria implantado caso fosse eleito governador da Bahia.
A proposta prevê auxílio financeiro por até 24 meses para mulheres vítimas de violência. A intenção, de acordo com o candidato, é oferecer condições para que a vítima deixe a residência onde vive com o agressor sem perder a capacidade de sustentar a si própria e, quando houver, os filhos.
“A ideia é que o governo do Estado possa pagar aquela mulher durante esse período para que ela não tenha que viver debaixo do mesmo teto do agressor”, explicou.
Neto relacionou a dependência financeira à dificuldade enfrentada por algumas vítimas para denunciar os agressores e romper relacionamentos violentos.
“A mulher não ter a coragem de denunciar, porque depois ela não tem como se sustentar, como manter a sua renda e até muitas vezes sustentar os seus filhos”, afirmou.
Pela proposta, as beneficiárias também teriam acesso a cursos de qualificação profissional e capacitação em empreendedorismo durante o período de recebimento do auxílio.
O objetivo, segundo Neto, seria promover a autonomia financeira das mulheres após o fim da assistência.
“O propósito de garantir que aquela mulher vai ter a sua independência financeira, que ela vai ter depois a sua vida segura, distante do agressor”, disse.
Candidato defende monitoramento de agressores
Além das medidas de assistência às vítimas, ACM Neto afirmou que pretende ampliar o monitoramento de homens acusados de violência contra mulheres.
“Nós vamos jogar duro com o agressor, vamos procurar punir os homens que são agressores de mulheres, principalmente que praticam o feminicídio”, declarou.
O candidato também defendeu a utilização de tornozeleiras eletrônicas para homens que ainda não tenham sido condenados ou presos, como forma de monitoramento e proteção das vítimas.
“Aqueles que não estiverem ainda condenados e na cadeia vão ser monitorados com tornozeleira eletrônica para ficarem muito distantes da mulher e não permitir novamente agressão”, afirmou.
As propostas apresentadas por ACM Neto fazem parte de sua plataforma para a disputa pelo Governo da Bahia nas eleições de 2026.