Ex-ministro afirma que ex-prefeito de Salvador representa a “reencarnação” do carlismo tradicional e cobra coerência narrativa da oposição no estado.
O ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (MDB) questionou publicamente a narrativa de renovação defendida pelo pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). Em declaração recente, o emedebista criticou a estratégia da oposição de se apresentar como uma alternativa de “mudança” para o estado, apontando a trajetória familiar e política do ex-prefeito da capital baiana.
“Como é que você quer se colocar como uma mudança sendo neto de Antônio Carlos Magalhães? Sendo primo de Luís Eduardo? Que mudança é essa?”, questionou Geddel.
Para o ex-ministro, a tentativa de colar o selo de novidade à candidatura de ACM Neto não se sustenta quando analisado o histórico e as alianças do ex-gestor soteropolitano. “Ele é mudança de quê? Ele é o neto de ACM, ele foi chefe de gabinete de Geraldo Athayde. Não tem crítica pessoal aqui, são as biografias”, declarou.
Geddel rebateu os argumentos da oposição que apontam fadiga do grupo governista — liderado pelo PT, que comanda o Executivo baiano há quatro mandatos consecutivos. Segundo o emedebista, defender a tese da alternância por mero desgaste do tempo desconsidera a essência política dos grupos em disputa.
“Não desrespeitem a inteligência dos outros. Diga que ele pode ser um melhor gestor, acho válido, mas mudança não muda nada. Do ponto de vista político, estrutural, de pensamento, é a reencarnação do velho ACM, com tudo o que ele representava”, afirmou.
A fala do ex-ministro insere-se no acirramento do debate eleitoral na Bahia, onde o grupo governista busca desconstruir o discurso de renovação da oposição ao associá-lo às raízes do carlismo tradicional. Até o momento, a assessoria de ACM Neto não se manifestou sobre as declarações.