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Terceiro acusado pela morte de Mãe Bernadete será julgado em outubro; advogado da família pede pena máxima

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O terceiro acusado de participação no assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, Mãe Bernadete, irá a júri popular no próximo dia 13 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, é apontado pela acusação como um dos executores do crime ocorrido em agosto de 2023, na comunidade quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.

Advogado da família de Mãe Bernadete, Dr. Hédio Silva afirma que o conjunto probatório reunido contra o acusado é consistente e que irá requerer a aplicação da pena máxima durante o julgamento.

“Ele foi o segundo executor. Ele atirou várias vezes. Temos prova testemunhal, prova pericial, além da arma utilizada no crime, que ele chegou a exibir nas redes sociais. Também há elementos de que participou do planejamento da execução. Diante da robustez das provas, não tenho dúvida de que será condenado. Vamos pedir a pena máxima, de 40 anos”, afirma Hédio Silva.

Josevan foi pronunciado por homicídio qualificado pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento acontecerá em Salvador após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar o desaforamento do processo, inicialmente sob responsabilidade da comarca de Simões Filho. A decisão que autorizou a transferência tornou-se definitiva em maio deste ano.

Mãe Bernadete foi assassinada a tiros, aos 72 anos, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em 17 de agosto de 2023. De acordo com a acusação, sua atuação em defesa do território quilombola e de enfrentamento à expansão do tráfico de drogas na região contrariava os interesses da organização criminosa que atuava na localidade.

Este será o terceiro julgamento pelo Tribunal do Júri relacionado ao assassinato de Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos já foram julgados e condenados pelo crime. Marílio, apontado pela investigação como mandante, morreu posteriormente durante uma operação policial.

Dr. Hédio Silva participou do último júri popular e ressalta que cada novo julgamento é também uma etapa da busca da família por responsabilização de todos os envolvidos no assassinato.

“Não estamos falando apenas da responsabilização por um crime brutal contra uma mulher de 72 anos. Mãe Bernadete era uma liderança quilombola, uma defensora do seu território e dos direitos de sua comunidade. A resposta da Justiça precisa estar à altura da gravidade desse crime. A família seguirá acompanhando cada etapa até que todos os responsáveis sejam julgados e responsabilizados”, destaca o advogado.

O caso ganhou repercussão nacional e, três anos após o assassinato, permanece como um dos episódios mais emblemáticos de violência contra lideranças quilombolas e defensoras de direitos no país.

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