Em coletiva em Salvador, político admitiu tom excessivo em mensagem privada ao desembargador Maurício Kertzman, mas cobrou imparcialidade da Justiça Eleitoral.
Em entrevista coletiva convocada em Salvador nesta segunda-feira (17 de agosto), o candidato a deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) negou ter feito qualquer ameaça ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman. O pronunciamento ocorreu após o magistrado apresentar, durante sessão plenária da Corte, um áudio enviado por Nilo mencionando a existência de um suposto dossiê contra o presidente do tribunal, episódio que motivou Kertzman a encaminhar o material ao Ministério Público sob a alegação de intimidação.
Durante o esclarecimento à imprensa, Nilo sustentou que sua manifestação visava cobrar neutralidade na condução de ações eleitorais que envolvem sua atuação política. “Eu não aceito ser perseguido. Eu não preciso que ele me ajude, só quero que seja imparcial”, afirmou.
O parlamentar admitiu que o tom utilizado no diálogo privado com o magistrado pode ter sido desmedido, mas rejeitou taxativamente a acusação de coação institucional. “Posso até ter exagerado nas palavras, eu estava falando com um amigo. Jamais vou ameaçar a Justiça”, declarou.
Nilo também detalhou a procedência das informações citadas no áudio, afirmando ter recebido papéis de deputados, integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e membros do próprio Poder Judiciário. O político ressaltou, contudo, que não chegou a examinar o conteúdo entregue. “Eu nunca li, porque eu não sou Ministério Público”, pontuou, justificando que a apuração de eventuais irregularidades não cabe à sua função legislativa.
Apesar de afirmar desconhecer os detalhes do material, Marcelo Nilo anunciou que pretende apresentar os documentos na tribuna da Câmara dos Deputados, buscando dar publicidade aos registros e transferir a discussão sobre o caso para o Parlamento.