O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (14), durante sabatina promovida pelo Grupo A TARDE, que o ambiente político no Congresso Nacional passou por uma mudança significativa nos últimos anos. Na avaliação do parlamentar, a transformação foi negativa e tornou mais difícil o diálogo político.
A declaração ocorreu ao comentar a relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso, em meio a recentes atritos entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Questionado sobre uma declaração de Lula de que o Senado estaria em um “nível muito baixo”, Wagner brincou com a dificuldade de se posicionar sobre a fala do presidente sem criar desconforto dentro da Casa.
“São as palavras… Aí você me aperta, né? Que eu discordar do presidente é ruim, concordar com o que ele disse também é ruim, porque eu vivo no Senado. Aí você me botou na chamada sinuca de bico”, afirmou.
“Aridez” da política
Na sequência, o senador disse que Lula tem demonstrado incômodo com o que classificou como uma deterioração do ambiente político, tanto no Brasil quanto no cenário internacional.
“O presidente Lula, ele realmente se ressente muito […] da aridez em que se transformou a política brasileira, e eu diria até internacional”, declarou.
Wagner também citou as disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos e criticou o que chamou de “tarifaço”, ao comentar a política tarifária norte-americana. Segundo o senador, a relação comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos.
“A gente está vendo aí o negócio do tarifaço. Quer dizer, é uma coisa sem pé nem cabeça, que tentam maltratar o nosso país quando a nossa relação comercial com os Estados Unidos é vantajosa para os Estados Unidos em 7 bilhões de dólares por ano”, disse.
Mudança no Congresso
Ao comparar sua experiência anterior na Câmara dos Deputados com o atual mandato no Senado, Wagner afirmou perceber uma deterioração nas relações parlamentares.
O petista foi deputado federal entre 1991 e 2002, antes de assumir o Governo da Bahia. Em 2019, retornou ao Congresso como senador.
“Eu fui deputado federal de 1991 até 2002. Depois vim ser governador e voltei em 2019 para o Senado. A mudança, eu sou obrigado a dizer, para pior, do ambiente parlamentar foi muito grande”, afirmou Wagner.