O candidato ao Senado pela Bahia, João Roma (PL), negou nesta quinta-feira (13) qualquer relação com supostos benefícios ao Banco Master, instituição financeira envolvida em investigações e que tem como proprietário o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração ocorreu após a solenidade de comemoração dos 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
Questionado pela imprensa sobre a existência de uma possível relação com o banco, Roma confirmou que mantém uma sociedade com Alfredo, apontado nas informações que circularam sobre o caso como tendo recebido recursos do Banco Master. O candidato, porém, afirmou que a parceria entre os dois é restrita a uma empresa rural.
“Eu tenho, sim, uma sociedade com o Alfredo, que é meu amigo. Nós produzimos essa nossa sociedade numa empresa rural, chamada Frota da Chapada, que tem endereço certo. Quem quiser vai lá. Tem produção acontecendo. Nós nos dedicamos à agricultura irrigada e à pecuária. A sociedade é com ele, e se restringe nisso. Ele tem outras atividades econômicas”, explicou.
Roma classificou como grave a tentativa de associar seu nome ao Banco Master e negou ter adotado qualquer medida que pudesse beneficiar a instituição financeira durante sua atuação política.
“Agora, o mais grave da questão é a tentativa de querer fazer alguma vinculação como se eu pudesse, inclusive, ter beneficiado a instituição financeira de alguma forma. Eu estou há cinco anos fora de mandato. Durante o governo do presidente Bolsonaro, inclusive, nenhuma ação minha beneficiou a instituição financeira”, afirmou.
O candidato também citou um decreto relacionado ao credenciamento de instituições financeiras para operações destinadas a beneficiários do Bolsa Família. Segundo Roma, o Banco Master ou empresas vinculadas ao grupo não participaram do processo.
“Até mesmo o decreto que disseram, criando consignados para as pessoas do Bolsa Família, sequer Banco Master e qualquer empresa vinculada ao seu grupo se credenciou. Teve Banco Santander, teve até Zema Fintech, mas Banco Master, qualquer instituição vinculada ao seu grupo, não se credenciou”, declarou.
Roma atribui associação a adversários
Em tom crítico, João Roma afirmou que não haveria relação causal entre sua atuação política e o Banco Master. Para o candidato, a associação de seu nome ao episódio seria uma movimentação de adversários políticos.
“Não há como fazer nenhum nexo causal disso, porque eu não tive nem como beneficiar nenhuma instituição financeira. Parece muito mais movimentação de adversários, que estão bem atrapalhados nesse quesito de prestar contas à população”, disse.
Roma afirmou ainda que não pretende transformar o episódio em uma questão eleitoral e defendeu que eventuais questões judiciais sejam tratadas pelas autoridades competentes.
“Eu não quero transformar isso em assunto eleitoreiro. Eu acho que os assuntos judiciais, penais, têm que ser tratados na Justiça, com toda a serenidade”, declarou.
Na sequência, o candidato fez novas críticas a adversários políticos, sem citar nomes, e afirmou que eles deveriam prestar esclarecimentos à população baiana.
“Então, eles expliquem, porque até então, eles só têm trazido notícias negativas para o povo baiano, notícias que decepcionam o povo baiano pelas suas atuações”, afirmou.
Candidato faz críticas sobre patrimônio de adversários
Ainda durante a entrevista, Roma ampliou as críticas e fez referências ao patrimônio de outros concorrentes na disputa eleitoral. Sem mencionar nomes, questionou a evolução patrimonial de adversários e afirmou que todos os seus bens estão declarados à Receita Federal.
“Tudo meu está comprovado no Imposto de Renda e não existe nenhuma obra miraculosa minha, nenhum feito sobrenatural, como, por exemplo, comprar um terreno de R$ 20 mil e vender por R$ 15 milhões, ou vender no mesmo prédio um apartamento de R$ 10 milhões e comprar outro de R$ 1,5 milhão no mesmo prédio, no mesmo local”, disparou.
Roma também criticou um concorrente que, segundo ele, possui patrimônio incompatível com os dados apresentados em sua declaração de bens.
“Então, acho que essas coisas precisam realmente vir à tona. É muito bom, porque eu percebo, sim, que a população baiana tem enxergado com profundidade essas informações”, afirmou.
Ao final, o candidato disse acreditar que os eleitores saberão avaliar a atuação dos políticos e voltou a defender sua candidatura ao Senado.
“Vamos seguir nessa caminhada com Deus no coração, conversando diretamente, compreendendo a dificuldade do dia a dia do povo baiano, que precisa, sim, de alguém que dê suporte para que a gente possa avançar enquanto sociedade”, concluiu.