O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) criticou o discurso de “mudança” adotado por ACM Neto (União Brasil) na pré-campanha ao Governo da Bahia e questionou quais seriam, na prática, as transformações propostas pelo ex-prefeito de Salvador. Em vídeo publicado nas redes sociais, Geddel comparou o atual cenário político baiano à eleição de 1986 e afirmou que, naquela época, o conceito de mudança tinha um significado político mais claro.
Na avaliação do emedebista, a disputa de 1986 colocava em lados opostos o então candidato Valdir Pires, que havia sido perseguido pela ditadura militar e vivido no exílio, e o grupo liderado por Antônio Carlos Magalhães, ligado ao regime militar.
Valdir Pires venceu a eleição e rompeu, naquele momento, a hegemonia carlista no governo baiano. “Naquela época, falar em mudança se justificava”, afirmou Geddel. Para ele, havia uma diferença clara entre os projetos políticos apresentados aos eleitores baianos.
O ex-ministro, então, transportou a comparação para a atual disputa pelo Palácio de Ondina e questionou o significado da palavra “mudança” no discurso de ACM Neto.
“Mudança de quê?”, questiona Geddel
Geddel fez críticas à trajetória política de ACM Neto e afirmou que o ex-prefeito de Salvador representa a continuidade de um modelo político associado ao carlismo.
Segundo o emedebista, Neto teria construído sua carreira política dentro da estrutura liderada pelo avô, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, e mantido características do modelo político tradicional do grupo. “Ele fala em mudança. Mudança de quê?”, questionou Geddel.
Na sequência, o ex-ministro criticou o histórico administrativo de ACM Neto à frente da Prefeitura de Salvador e também a gestão do atual prefeito Bruno Reis (União Brasil), sucessor de Neto.
Geddel afirmou que, apesar dos anos de administração do grupo político na capital, não identifica obras estruturantes suficientes para justificar o discurso de transformação que, segundo ele, é utilizado atualmente pelo adversário. “Qual foi a grande obra que construiu ele e o sucessor?”, provocou.
Segurança pública também entra na crítica
Outro ponto abordado por Geddel foi a segurança pública. O ex-ministro afirmou que ACM Neto teria prometido ampliar a participação da Prefeitura na área, inclusive com a contratação de guardas municipais, mas questionou os resultados dessa proposta.
A crítica ocorre em meio à tentativa de ACM Neto de apresentar a segurança pública como uma das principais bandeiras de sua pré-campanha ao Governo da Bahia.
Geddel também citou obras de infraestrutura e equipamentos públicos realizados durante gestões estaduais, incluindo intervenções viárias, hospitais e projetos de mobilidade, para questionar a narrativa de que Salvador teria passado por uma transformação estrutural durante as administrações de Neto e Bruno Reis.
Crítica mira discurso eleitoral de ACM Neto
Ao longo do vídeo, Geddel contrapôs a trajetória administrativa do grupo político de ACM Neto ao discurso de mudança apresentado pelo ex-prefeito para a disputa estadual.
O emedebista também fez referência ao histórico político de Antônio Carlos Magalhães e classificou o modelo associado ao antigo carlismo como centralizador e autoritário.
A crítica ocorre em um cenário no qual ACM Neto disputa a eleição para Governo da Bahia. Geddel, por sua vez, integra o MDB, partido que atualmente faz parte da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), embora o próprio ex-ministro já tenha feito declarações públicas favoráveis à competitividade eleitoral de Neto.
No fim da gravação, Geddel reforçou o questionamento sobre o slogan utilizado por ACM Neto e pediu que o eleitor avalie o que, de fato, representaria uma eventual mudança no comando do Estado.
“Que mudança representa isso?”, questionou. “O que é que ACM representa de mudança política, gerencial, administrativa? O que ele representa?”
A manifestação de Geddel acrescenta mais um capítulo à disputa política entre os grupos ligados ao MDB e ao União Brasil na Bahia, em meio à corrida eleitoral de 2026.