Candidato ao Senado afirmou que Prefeitura recebe R$ 87 milhões do teto MAC e criticou ausência de UPA e de hospital municipal na cidade
O candidato ao Senado Rui Costa (PT) rebateu, nesta segunda-feira (10), declarações da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União), sobre a distribuição de recursos da saúde entre o município e o Governo do Estado. Em entrevista à Band FM de Vitória da Conquista, o ex-governador afirmou que a Prefeitura fica com a maior parte dos recursos do teto MAC destinados ao município e cobrou mais investimentos da gestão municipal na área.
Segundo Rui, o teto MAC do Sistema Único de Saúde (SUS) destinado a Vitória da Conquista é de R$ 134 milhões. Desse montante, de acordo com o petista, R$ 87 milhões ficam com o município, enquanto R$ 47 milhões são destinados ao Estado.
“Quem fica com a maior parte do recurso do SUS de Vitória da Conquista é o município de Vitória da Conquista, é a Prefeitura de Vitória da Conquista”, afirmou.
Rui também disse que o Governo do Estado repassa cerca de R$ 8 milhões por ano para a maternidade Esaú Matos. Ele aproveitou para afirmar que, quando era ministro da Casa Civil, chegou a sugerir à prefeita a apresentação de um projeto para construção de uma nova maternidade em Vitória da Conquista, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
De acordo com o candidato, apesar da proposta, nenhum projeto teria sido apresentado pela Prefeitura até o período em que deixou o ministério.
“Eu ofereci à prefeita que ela apresentasse uma proposta ao Governo Federal para o PAC, que eu conversaria com o presidente. Mesmo tendo passado o prazo de inscrição, com certeza, pelo carinho que o presidente Lula tem a Maria, ele abriria uma exceção”, declarou.
Crítica à ausência de UPA
Durante a entrevista, Rui Costa também criticou o fato de Vitória da Conquista, segundo ele, não possuir uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) municipal.
O petista argumentou que os atendimentos de pacientes de municípios do Norte de Minas são realizados principalmente pela rede hospitalar estadual, e não pelos postos de saúde municipais.
“Conquista não tem uma UPA sequer. Quem atende, e atende muitos, de fato, o Norte de Minas, são os hospitais do Governo do Estado, que prestam serviço ao Norte de Minas”, afirmou.
Rui citou ainda uma experiência durante seu período como governador. Segundo ele, após inaugurar uma UPA em Vitória da Conquista, retornou ao local no mesmo dia e encontrou duas ambulâncias vindas de Minas Gerais.
Comparação com outros estados
Na entrevista, o candidato ao Senado também comparou o modelo de gestão da saúde adotado na Bahia com o de outros estados brasileiros.
Rui citou o Rio Grande do Sul, onde, segundo ele, há três hospitais estaduais para uma população de aproximadamente 11 milhões de habitantes. Na Bahia, afirmou, são 56 hospitais estaduais, incluindo maternidades.
Segundo o ex-governador, a diferença está na divisão das responsabilidades entre estados e municípios.
“Em outros estados, boa parte do serviço, a responsabilidade é do município e não do Estado. Este é o modelo usado no Rio Grande do Sul”, disse.
Ele também comparou a estrutura municipal de saúde de Salvador e Fortaleza. Segundo Rui, enquanto Fortaleza possui dez hospitais municipais e cerca de 1,7 mil leitos, Salvador teria pouco mais de 300 leitos municipais.
Rui ainda criticou o prefeito de Feira de Santana, que, segundo ele, está no sexto mandato e nunca construiu um hospital municipal.
“24 anos ele foi prefeito da maior cidade do interior da Bahia e nunca construiu um hospital”, afirmou.
O candidato classificou as críticas feitas por gestores municipais ao sistema de regulação como parte de uma estratégia política e associou esse comportamento ao “modelo bolsonarista”.
Investimentos em Vitória da Conquista
Rui Costa também destacou investimentos realizados pelo Governo do Estado na saúde de Vitória da Conquista. Segundo ele, estão previstos mais de R$ 129 milhões em intervenções no Hospital Geral de Vitória da Conquista, o Hospital de Base.
O candidato citou ainda recursos para a ampliação da unidade, incluindo a construção de um novo prédio, além da implantação de sete Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que, posteriormente, serão entregues à Prefeitura.
“Sete unidades básicas de saúde o Governo do Estado vai construir em Conquista para posteriormente entregar à Prefeitura”, afirmou.
De acordo com Rui, os investimentos incluem cerca de R$ 82 milhões para a ampliação do Hospital de Base, com a construção de uma nova estrutura.
Novo hospital em Itapetinga
Ao final da entrevista, Rui Costa também mencionou a construção de um hospital em Itapetinga, no sudoeste baiano. Segundo ele, a unidade deverá reduzir a demanda atualmente direcionada aos hospitais de Vitória da Conquista e Itabuna.
A previsão, conforme declarou, é que o hospital seja inaugurado em 2027.
Rui explicou que municípios da região de Itapetinga atualmente encaminham pacientes principalmente para o Hospital de Base de Vitória da Conquista e para o Hospital de Base de Itabuna.
“Com o hospital de Itapetinga, que será inaugurado ano que vem, ela deixa de demandar esse serviço do hospital de Conquista, deixará de demandar o hospital de Itabuna”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a nova unidade permitirá que os hospitais de Vitória da Conquista e Itabuna ampliem a oferta de serviços para as respectivas populações.