O vereador de Salvador André Fraga (PV) anunciou que recorreu à Justiça para tentar reverter o veto imposto pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) à sua candidatura a deputado estadual nas eleições de 2026.
Durante a sessão de reabertura dos trabalhos da Câmara Municipal de Salvador (CMS), nesta segunda-feira (3), o parlamentar conversou com jornalistas e classificou a decisão como uma medida arbitrária e acusou os partidos aliados de promoverem uma perseguição política.
Segundo Fraga, a exclusão de seu nome da chapa estadual extrapola divergências internas e representa um ataque ao espaço do Partido Verde dentro da federação.
“A gente está diante de uma situação que envolve vários elementos: perseguição política, arbitrariedade, um golpe em cima do Partido Verde, perpetrado por dois partidos [PT e PCdoB] que se colocam no campo da esquerda democrática e que, na prática, estão mais preocupados com o resultado eleitoral”, afirmou.
Na planária, edil afirmou que não aceitará a decisão e falou em golpismo. “Pelo opressão, pelo arbítrio, pelo golpe. Golpistas fizeram isso com o Partido Verde. É importante reforçar essa palavra: golpistas. Foi um golpe, mas esse golpe não sairá impune, não será em silêncio, ele será denunciado cotidianamente”, discursou.
O vereador também criticou o que considera falta de coerência na condução das candidaturas. Sem citar nominalmente o deputado estadual Binho Galinha (Avante), preso após condenação a 36 anos e 9 meses de prisão, Fraga questionou a ausência de reações por parte da federação em relação a outras candidaturas.
“Não tem uma preocupação porque, se a gente olhar para o campo que tem vários candidatos, ela tem uma candidatura lá que está na prisão, com 36 anos de condenação. Eu não vi ninguém se levantar e dizer que esse projeto destoa do nosso projeto. Cadê?”, questionou.
Ao justificar a motivação do veto, Fraga afirmou que sua atuação política e as críticas feitas à gestão estadual em temas ambientais e de saneamento teriam provocado incômodo dentro da federação.
“O que eu percebo é que é, na verdade, uma perseguição em função do que a gente vem apontando na nossa caminhada pela Bahia. A Bahia é o estado com o maior número de lixões do Brasil, a Bahia é o estado que mais desmata. A Embasa não presta um serviço adequado, porque praticamente todas as cidades jogam esgoto nos nossos rios”, declarou.
O parlamentar informou que a ação judicial já foi protocolada e disse esperar uma decisão favorável para garantir sua participação no pleito.
“Nosso próximo passo é entrar na Justiça. Na verdade, já fizemos. Vamos buscar garantia na vaga e, a partir daí, avaliar quais serão os cenários caso isso não seja possível”, afirmou.
Durante a sessão, a vereadora Marcelle Moraes (União Brasil) manifestou apoio ao colega e criticou a decisão da federação de impedir sua candidatura.
“O povo deveria ter a oportunidade de conhecer, de eleger e de votar em quem realmente quer, e não em quem o partido quer colocar”, disse a parlamentar.