O clamor de Justiça pela morte de Leo Lanches mobilizou familiares, amigos e moradores de São Cristóvão em um protesto pacífico na manhã deste sábado (1º), na Avenida Paralela, em Salvador. O grupo caminhou pelas ruas do bairro e depois se concentrou em frente ao Parque de Exposições, onde ocorre a convenção eleitoral do PT com a presença do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente Lula.
“Governador, a dor da família exige uma ação”, dizia um dos cartazes. O vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, conhecido como “Léo Lanches”, de 33 anos, foi morto durante uma ação policial em São Cristóvão no último dia 23 de julho. A corporação afirma que o trabalhador foi encontrado ferido após uma troca de tiros com suspeitos, mas familiares e moradores sustentam que ele foi baleado por uma agente na porta de casa, logo após chegar do trabalho.
“Sem picanha, a carne mais barata do mercado é a negra”, estampava outra faixa. Durante o ato, amigos voltaram a reforçar que Leo não tinha nenhum envolvimento com a criminalidade.
“Se Léo se envolvesse em coisa errada não teria esse tanto de gente aqui nesse protesto em pleno sábado para querer uma resposta do governador do Estado. O silêncio para vocês ainda é pouco, nós queremos resposta. Porque foi um pai de família inocente que vocês não mataram, vocês executaram”, desabafou um deles.
“Olha quanta gente está aqui, olha quanta gente ele perdeu, olha quanta gente está aqui por causa de Léo. Eu estou dando minha cara aqui agora porque Leo foi um amigo, foi um pai de verdade, porque se fosse errado a gente não estava aqui! Jerônimo tem que dar cara pela família de Léo! É só isso”, protestou uma moradora.
A morte de Leo Lanches se soma a uma estatística que posiciona a Bahia como o estado mais violento do Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registradas 5.473 mortes violentas intencionais em 2025. O levantamento também aponta que Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro figuram entre os dez municípios mais violentos do Brasil.