Arlene Vilpert destacou que aumento de custos e riscos de desabastecimento impactaram a indústria regional; apesar das dificuldades, inovação e proximidade logística com clientes podem ser vantagens competitivas.
A presidente do Sindicato de Tintas, Arlene Vilpert, afirmou que o setor enfrentou forte pressão nos últimos meses devido ao aumento dos custos das matérias-primas e aos riscos de desabastecimento provocados pelo cenário internacional. Segundo ela, as empresas precisaram ampliar os estoques e enfrentaram redução das margens de lucro.
“O segmento de tintas, que é o que eu represento, teve um impacto muito forte agora com a guerra Irã e Estados Unidos. Nós tivemos que ampliar os nossos estoques para mais de seis meses por uma possibilidade de desabastecimento e também por um aumento absurdo nas matérias-primas”, afirmou.
De acordo com Arlene, a elevação dos custos provocou perda de margem e espaço no mercado. Ela explicou que o setor vive atualmente um momento de acomodação, com empresas buscando realinhar os preços diante das novas condições de mercado. “Esse é o momento de acomodação em que nós estamos realinhando preços novamente”, disse.
A presidente também apontou a concorrência de grandes empresas internacionais como um dos fatores que pressionaram a indústria nordestina. Segundo ela, o maior poder de negociação dessas companhias teria permitido absorver parte dos aumentos de custos sem repassá-los integralmente aos consumidores, ampliando a pressão sobre os fabricantes regionais.
Apesar das dificuldades, Arlene destacou que a proximidade com o consumidor pode representar uma vantagem competitiva para as empresas nordestinas. Ela explicou que o peso dos produtos faz com que o frete tenha impacto significativo na formação do preço final. “O que favorece é a logística de quem está próximo do cliente. Já que tinta é peso, o valor do frete chega a 10, 12%, então nós acabamos tendo competitividade em função da proximidade”, explicou.
A dirigente também apontou uma mudança no comportamento do mercado, com maior valorização de produtos fabricados regionalmente, desde que mantenham padrões de qualidade. “Isso é um viés que o mercado está cada vez mais entendendo que vale a pena dar oportunidade às empresas próximas, às empresas do seu estado, já que é uma questão de qualidade, uma questão de padrão”, afirmou.
Além da logística, Arlene destacou a inovação como uma das principais apostas do setor para o segundo semestre. Segundo ela, o mercado de tintas passa por uma transformação com o crescimento da procura por revestimentos, texturas e efeitos especiais. “Uma nova tendência na área de tintas é os revestimentos, as texturas, os efeitos especiais. Isso é uma tendência fortíssima”, disse.
Para a presidente do sindicato, a incorporação de novos conceitos e produtos com referências internacionais representa um avanço para o segmento. “O mercado de tinta, há muitos anos, não dava esse upgrade, agregando valor ao negócio como agora”, concluiu.