Senador petista teria tentado transferir terreno de R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou negócio por ordem do ministro André Mendonça; defesa diz que operação é lícita e que valores foram declarados.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) , por meio de sua defesa, rebateu as informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (19), que apontam que ele tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Segundo a defesa do parlamentar, a negociação é anterior à operação e foi formalizada com o City Football Group ainda em 2025, não havendo qualquer irregularidade.
De acordo com a reportagem do Estadão, a transmissão da propriedade do terreno foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu uma ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O senador também teria acertado a venda de um segundo imóvel, seu apartamento em Salvador, avaliado em R$ 10 milhões, em transação protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF.
Em nota enviada à reportagem, a defesa de Jaques Wagner esclareceu que a negociação do terreno com o City Football Group, controlador do Esporte Clube Bahia, foi iniciada em 2024 e formalizada em 2025. O acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta.
Inicialmente, a defesa do senador havia afirmado que ele não se manifestaria sobre condutas que não fossem relacionadas à sua campanha eleitoral, mas, após a publicação da reportagem, enviou uma nova nota detalhando os termos da negociação. “Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, disse o advogado Pablo Domingues em nota anterior.