Líder governista defende rigor nas investigações de contratos, relembra operação contra Jaques Wagner e avisa que parlamento não antecipará mérito judicial
O líder da bancada governista na Câmara Municipal de Salvador, Kiki Bispo (União Brasil), reagiu de forma contundente à tentativa da bancada de oposição de articular uma comissão parlamentar para investigar contratos da prefeitura após operações do Ministério Público (MP). O vereador lembrou que o parlamento municipal é regido por ritos técnicos e regimentos específicos, apontando desconhecimento jurídico por parte dos vereadores petistas e blindando a gestão de Bruno Reis contra o uso político do episódio.
“É, primeiro a oposição… a Câmara não faz CPI, faz CEI, né? Já começa equivocada por aí. É claro e evidentemente que nós não vamos permitir, sobretudo que um fato desse, dessa natureza, que tem o Judiciário e o Ministério Público acompanhando, que se torne um palanque político”, afirmou Kiki Bispo. O parlamentar destacou que todas as decisões judiciais, incluindo o afastamento do secretário Luciano Sandes e do vereador Gordinho da Favela, foram integralmente cumpridas de imediato pela prefeitura e pela mesa diretora da Casa.
Como contraponto, o líder governista cobrou reciprocidade e coerência dos adversários, relembrando a postura equilibrada adotada pelo seu grupo político quando lideranças do PT baiano foram alvos de mandados de busca e apreensão. “Não fizemos isso com Wagner quando ele teve aí a casa invadida no mandado de busca e apreensão, por entender que existe um foro competente para poder cuidar do assunto. A gente pede que a oposição tenha responsabilidade com os fatos, até porque me causa estranheza a questão da competência. A Câmara não tem competência para acompanhar um fato desse episódio”, cobrou.
Kiki Bispo esclareceu que o parlamento aguardará o avanço das apurações do Ministério Público antes de adotar medidas punitivas definitivas no âmbito legislativo, resguardando os direitos fundamentais dos investigados. “Se houver uma culpabilidade, aí sim, eu entendo que a Câmara precisa se debruçar, aí talvez o Conselho de Ética ou qualquer instituto pertinente para poder deliberar sobre o assunto. Mas, nesse momento, o que existe é uma medida cautelar, uma medida liminar e não existe ainda a decisão do mérito da questão. Então, a Câmara não pode, até por questão de direito, antecipar os fatos”, concluiu, lembrando que o vereador citado já se encontra formalmente licenciado de suas funções.