Em forte desabafo na plenária “Sua Voz é Nossa Voz”, gestor municipal critica colapso na segurança pública e diz que moradores alteraram vestimentas e hábitos básicos por medo.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) adotou uma postura de forte cobrança institucional ao abordar a crise de segurança pública que afeta os bairros periféricos de Salvador. Durante o painel de escuta popular em Pau da Lima, nesta terça-feira (14), o gestor relatou a rotina de restrições imposta pelas facções criminosas aos moradores da capital baiana e apontou uma “ausência crônica de comando” por parte da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA).
“A segurança, gente, vocês sabem o que nós enfrentamos aqui em Salvador: as brigas das facções, o controle pelo tráfico de drogas. Todos sabem a dificuldade que é hoje conviver com a questão da segurança”, relatou Reis, sintonizando seu discurso com o clamor das comunidades periféricas.
Perda de liberdades civis básicas
O prefeito soteropolitano chocou a plateia ao detalhar como as disputas territoriais entre organizações criminosas têm retirado o direito de ir e vir dos cidadãos, interferindo inclusive em manifestações religiosas e laços familiares.
“As pessoas tiveram que se adaptar à nova realidade: não pode se vestir com a roupa de um jeito, não pode fazer símbolos… Até para vir pro culto na igreja tem que ser mais cedo porque, se for mais tarde, tem risco de não voltar para casa. Ninguém pode ir de uma comunidade para visitar o parente em outra. É ou não é? E isso é falta de quê, gente? De governo, de comando!”, bradou Bruno Reis sob forte aclamação.