Editor do Políticos do Sul da Bahia defende que governos estadual e federal tratem a infraestrutura aeroportuária como prioridade e alerta para os impactos de tarifas elevadas e problemas operacionais sobre moradores, empresas e o turismo regional.
O jornalista João Matheus, editor do site Políticos do Sul da Bahia, defendeu que a infraestrutura aeroportuária seja colocada entre as prioridades dos governos estadual e federal para o desenvolvimento da região. Durante participação no podcast “A Bahia quer o quê?”, do Bahia Notícias, ele criticou os preços das passagens e os transtornos enfrentados pelos usuários do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus.
O episódio foi publicado na quinta-feira, 9 de julho de 2026, e apresentado pelo jornalista Francis Juliano. Além da infraestrutura, a conversa abordou demandas do Sul da Bahia nas áreas de saúde, educação, segurança pública e desenvolvimento econômico, com atenção a municípios como Itabuna, Ilhéus, Itacaré, Buerarema, Canavieiras, Ubaitaba e Maraú.
Ao tratar especificamente da aviação regional, João Matheus afirmou que o terminal de Ilhéus não atende apenas aos moradores do município, mas funciona como ponto de acesso a diferentes destinos turísticos e econômicos do Sul da Bahia.
“Quando eu falo Aeroporto de Ilhéus, o Aeroporto de Ilhéus é a porta de entrada para o turismo de Itacaré, Ilhéus, Canavieiras, Barra Grande. E também um serviço, né, de muita gente de Itabuna, nessa região Sul da Bahia, que usa esse aeroporto para fazer suas questões de trabalho também”, declarou.
Na avaliação do jornalista, a ligação política entre o Governo da Bahia e o Governo Federal abre uma oportunidade para que uma solução estrutural seja construída. Ele mencionou tanto a possibilidade de um novo projeto para Ilhéus quanto a implantação de um terminal em Itabuna ou em outro município da região.
“O turismo tem uma força muito grande aqui na nossa região e eu acredito que tem que ser agora, porque tem a união aí do Governo do Estado com o Governo Federal. Acho que deveria ter como bandeira a construção de um novo aeroporto, ou em Itabuna ou em outra cidade”, disse.
A proposta apresentada por João ocorre em meio a um debate regional sobre o futuro do Aeroporto Jorge Amado. O terminal passou por obras de ampliação e modernização concluídas em 2024, segundo a Secretaria de Infraestrutura da Bahia. Naquele ano, a concessionária responsável projetava a movimentação de cerca de 160 mil passageiros apenas entre junho e agosto.
Em março de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou um investimento de R$ 70 milhões, por meio do Novo PAC, para a implantação do sistema de segurança EMAS. De acordo com o governo federal, o aeroporto está cercado por obstáculos naturais e urbanos que impedem o prolongamento físico da pista. O terminal movimentou 669.734 passageiros em 2024 e tem projeção de ultrapassar a marca de 1 milhão até 2031.
Apesar dos investimentos, João Matheus apontou que as condições meteorológicas continuam provocando insegurança entre passageiros que dependem do terminal para viagens profissionais, conexões e compromissos previamente marcados.
“Tem uma instabilidade muito grande quando chove, que você não sabe se vai poder viajar ou não, ou se você vai ter um compromisso, fazer uma conexão, você nem se arrisca. Se estiver chovendo, você toma logo um calmante, porque corre o risco de você perder sua viagem tão esperada”, afirmou.
A necessidade de construir um novo aeroporto, porém, não é consensual. O Instituto Nossa Ilhéus defende a permanência e o aperfeiçoamento do terminal atual, com a adoção de procedimentos de aproximação por instrumentos e tecnologia via satélite. A organização sustenta que essas medidas poderiam reduzir os cancelamentos provocados pela baixa visibilidade sem exigir a transferência do aeroporto para outra cidade. A posição representa uma proposta da entidade e ainda depende de análises e decisões das autoridades aeronáuticas.
Além das limitações operacionais, João chamou atenção para o custo das passagens, especialmente em deslocamentos de emergência entre Ilhéus e Salvador.
“Quando você, numa emergência, quiser ir para Salvador, trinta minutos de voo, pagar quatro mil reais, com preço para a Europa”, criticou.
O valor de R$ 4 mil foi apresentado pelo jornalista como exemplo durante a entrevista. O vídeo não informa a companhia aérea, a data da consulta, as condições da tarifa nem se o preço correspondia somente à ida ou ao percurso de ida e volta, o que impede uma comparação independente. Ainda assim, a declaração expõe uma reclamação recorrente sobre o custo da conectividade aérea no Sul da Bahia.
Na alta temporada de 2025 para 2026, o Governo da Bahia anunciou 148 voos extras e 20,1 mil assentos adicionais em Ilhéus, incluindo uma rota sazonal para Congonhas e operações extras para Confins. O reforço representou crescimento de 56% no número de decolagens e de 62% na oferta de assentos da companhia envolvida, em comparação com sua operação regular no período.
Para João Matheus, no entanto, a região ainda precisa de uma resposta permanente que concilie segurança operacional, preços acessíveis, expansão da oferta de voos e fortalecimento do turismo e das atividades empresariais.
“Eu acho que agora ou nunca é os governantes tratarem dessa questão do Aeroporto de Ilhéus”, concluiu.