O senador Ângelo Coronel (Republicaos-BA) defendeu que o desejo de mudança do eleitorado é um movimento orgânico da política e traçou um paralelo entre o cenário atual e a eleição de 1986, quando o ex-governador Waldir Pires venceu o pleito na Bahia em uma disputa que quebrou hegemonias. A declaração foi dada durante participação no programa “Vem Que Tem”, da Rádio Sociedade.
Na bancada do estúdio, Coronel resgatou sua atuação nos bastidores daquela campanha e apontou semelhanças com o sentimento que percebe nas ruas para a eleição de outubro.
“A mudança, ela é natural”, ponderou o senador. “Eu me lembro que, em 86, eu fui coordenador da campanha de Waldir Pires para o governo. A gente viajava essa Bahia, Aldo, e meus caros ouvintes da Rádio Sociedade, e a gente não tinha um prefeito até para nos recepcionar”.
O parlamentar detalhou as dificuldades enfrentadas pela oposição na época, descrevendo o ambiente de desvantagem estrutural em relação ao grupo governista. De acordo com Coronel, o único palanque móvel disponível para os discursos de Waldir Pires era um trio elétrico próprio, apelidado de “Café do Coronel”.
‘Cidades fantasma’ e o efeito das urnas
O relato trouxe ainda episódios em que a população local, com receio de retaliações políticas, evitava demonstrar apoio publicamente durante as carreatas e comícios.
“O povo desligava a luz de dentro de casa, parecia uma cidade fantasma”, lembrou o senador. Ele pontuou, contudo, que o isolamento inicial não impediu a vitória expressiva na contagem final dos votos. “Quando abriu as urnas, Waldir ganhou a eleição, deu dois por um no concorrente. Sem uma estrutura, sem nenhuma, zero de estrutura”.
Ao resgatar o episódio histórico, Coronel mandou um recado velado sobre o excesso de otimismo de grupos que apostam na força do maquinário partidário para a próxima disputa eleitoral. O recado do senador sugere que, assim como no passado, surpresas podem reconfigurar o xadrez baiano quando as urnas forem abertas.