Os alagamentos que durante décadas marcaram a rotina da Cidade Baixa e o medo dos deslizamentos de terra em áreas de encosta estiveram no centro do discurso de Rui Costa durante a plenária do Programa de Governo Participativo (PGP), realizada na noite desta segunda-feira (15), na Ribeira. Ao lado do senador Jaques Wagner e do vice-governador Geraldo Júnior, o ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado pelo PT destacou as obras de macrodrenagem e contenção de encostas executadas pelo Governo do Estado como respostas concretas a problemas históricos enfrentados pelos moradores dessa região de Salvador.
Nascido e criado no bairro da Liberdade, Rui recordou que os alagamentos sempre fizeram parte da rotina dos moradores da Península de Itapagipe, onde ele estudou durante a infância e parte da adolescência. Ao citar localidades como Largo de Roma, Avenida Henrique Dias, Baixa do Fiscal e Nilo Peçanha, ele pontuou que as obras atualmente em andamento buscam solucionar um problema que atravessou gerações. “Desde que eu era do primário, que vinha para o Colégio Castro Alves, essa região alagava. Agora vocês se perguntem, quantos prefeitos já passaram e esse problema não tinha sido resolvido, nem enfrentado? E essas obras de macrodrenagem, quem está fazendo? É o Lula e o Jerônimo”, afirmou.
Rui também relacionou sua própria trajetória às intervenções de contenção de encostas realizadas em diversos pontos da capital. Ao recordar os períodos de chuva intensa que marcaram sua infância, ele descreveu o temor constante de deslizamentos em comunidades construídas em áreas de morro. “Toda vez que chovia, minha mãe pegava os quatro filhos pelo braço e saía correndo para a porta de casa para ver onde é que estava desabando, se era na nossa casa ou na casa de um vizinho”, relatou.
As intervenções citadas por Rui são executadas pelo Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), com recursos do Governo Federal. Embora a drenagem urbana e a prevenção de desastres em áreas de risco sejam tipicamente atribuições municipais, a gestão estadual assumiu a execução de uma série de projetos em Salvador para enfrentar problemas históricos que afetam comunidades vulneráveis da Cidade Baixa e do Subúrbio. Parte significativa dos investimentos é financiada pelo Novo PAC, programa coordenado por Rui durante sua passagem pela Casa Civil da Presidência da República.
Durante o discurso, o ex-governador também ressaltou o potencial econômico e turístico da Península de Itapagipe. Para ele, a região reúne características que a colocariam entre as áreas mais valorizadas de qualquer grande cidade do mundo. “Eles largaram a região mais bonita da cidade para os pobres morarem. Em qualquer lugar do mundo isso aqui seria o lugar mais valorizado da cidade”, disse. Rui citou ainda investimentos como o VLT de Salvador e as intervenções urbanísticas em andamento como parte de um projeto voltado à geração de empregos, atração de turistas e melhoria da qualidade de vida dos moradores.
Ao defender a continuidade dos investimentos públicos nas áreas populares da capital, Rui afirmou que a formulação de políticas eficazes exige sensibilidade para compreender a realidade vivida pela população. “Não peça pra alguém que nunca sentiu na pele a sua dor pra saber qual é a sua dor”, declarou.
