O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, voltou a defender a redução da taxa básica de juros e afirmou que o atual patamar da Selic tem dificultado a retomada do crescimento econômico e a ampliação dos investimentos no país.
Durante agenda realizada nesta terça-feira (9), em Camaçari, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o dirigente empresarial avaliou que os juros elevados representam um dos principais obstáculos enfrentados pelo setor produtivo brasileiro.
“Não deveríamos estar com 14,75%. Esse é o ponto. Estamos vivendo uma base de juros estupidamente alta. Isso inibe qualquer desenvolvimento econômico e qualquer atividade produtiva”, declarou.
Alban associou o cenário atual ao aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por empresas de diferentes segmentos. Segundo ele, os efeitos da política monetária restritiva já podem ser observados no crescimento da inadimplência e na elevação dos pedidos de recuperação judicial.
“Estamos vendo o aumento da inadimplência, dificuldades no agro e um número crescente de recuperações judiciais. Isso gera um efeito cascata em toda a economia”, afirmou.
Na avaliação do presidente da CNI, o país possui condições para iniciar um processo de redução gradual dos juros, desde que acompanhado por medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas e ao controle dos gastos governamentais.
“Temos espaço para cair. Não estou falando em cortes irresponsáveis, mas em racionalidade dos gastos de todos os poderes. O Brasil precisa criar condições para voltar a crescer”, disse.
Embora reconheça que fatores externos influenciam as decisões econômicas, Alban sustentou que a queda dos juros permanece como uma reivindicação central da indústria e dos setores produtivos.
“Não acredito que essa queda aconteça com a velocidade necessária no cenário atual, mas ela deveria acontecer. O país precisa voltar a estimular quem produz, investe e gera empregos”, concluiu.
