O ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governador da Bahia, Zé Cocá (PP), avaliou que a disputa pelo Palácio de Ondina em 2026 ocorrerá em um cenário diferente daquele que levou Jerônimo Rodrigues (PT) à vitória nas eleições de 2022. Em entrevista à Rádio Ipiaú FM, o dirigente oposicionista afirmou que a rejeição acumulada pelo governador ao longo do mandato será um dos principais fatores da próxima campanha.
Ao analisar o cenário eleitoral, Cocá argumentou que Jerônimo chegou ao governo beneficiado por um contexto de expectativa do eleitorado e pela associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a situação atual é distinta porque o governador será avaliado pelos resultados de sua própria gestão.
“Dessa vez, ele não pode esconder atrás de Lula. Porque o primeiro mandato, você vota numa esperança. Pô, não conheço o rapaz, o cara zero de rejeição e aceita a ação.”
O ex-prefeito afirmou que a rejeição é um dos obstáculos mais difíceis de serem revertidos em uma disputa eleitoral e disse não acreditar em uma mudança significativa desse quadro até o próximo pleito.
“Se constrói rejeição? Não, meu amigo, você não tira a rejeição de ninguém. Quando a pessoa não gosta de você e tá materializado aquilo, você tira, aquilo é difícil. Então a coisa é você começar do zero, cara, ó, ninguém nunca viu ele e vai subindo. Foi o que aconteceu. Eu dizia sempre. Como aconteceu com o Rui Costa, como aconteceu com o Wagner.”
Na avaliação de Cocá, o governador chegará à campanha de reeleição tendo de defender o legado de sua administração e responder às cobranças por obras e investimentos que, segundo ele, não foram executados ao longo dos quatro anos de mandato.
“Agora nós estamos falando de um candidato que tem mais de 50% de rejeição, que ele é governador, ele vai dizer agora, ah, eu e Lula, como é que eu vou dizer eu e Lula se eu tô governando há quatro anos e com Lula?”
O aliado do grupo liderado por ACM Neto também questionou promessas feitas durante a eleição passada e afirmou que a parceria entre os governos estadual e federal não teria produzido as transformações esperadas pela população baiana.
“Se eu não fiz, se eu larguei obras estruturantes necessárias, se eu não fiz demandas que eram necessárias, eu preguei na eleição passada que eu iria mudar a Bahia em quatro anos porque se tivesse Lula e Jerônimo junto, o Estado seria mudar porque nós não teríamos problema de recurso, né?”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio à intensificação das articulações para as eleições de 2026, quando governo e oposição buscam consolidar discursos sobre os resultados da gestão estadual e os rumos da sucessão baiana.
