O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, afirmou nesta segunda-feira (1º) que pesquisas de opinião pública precisam considerar não apenas a percepção imediata dos entrevistados, mas também os possíveis efeitos econômicos das medidas avaliadas. A declaração foi dada durante o fórum “Diálogos que Transformam”, realizado no Bistrot Trapiche Adega, em Salvador.
Ao comentar o papel dos institutos de pesquisa na análise de cenários políticos e econômicos, o dirigente elogiou metodologias que contextualizam os temas submetidos à avaliação da população. Segundo ele, esse tipo de abordagem contribui para resultados mais consistentes e úteis para a tomada de decisões por parte do setor produtivo e da sociedade.
“Eu acho que a pesquisa é norteadora de cenários, desde que ela seja construída sob uma formulação correta. Agora mesmo, recentemente, tivemos uma experiência com o instituto onde não só se procurou entender aquele benefício com a redução de jornada, mas também fazer com que o entrevistado pudesse perceber que uma modificação tem um custo. E aí, sim, claro, você começa a encontrar resultados que não são necessariamente aqueles que parecem óbvios, porque é muito fácil você buscar uma resposta sem mostrar qual é a consequência daquela resposta”, ponderou o presidente da FIEB.
A fala ocorreu em meio às discussões nacionais sobre mudanças nas regras trabalhistas, incluindo propostas de redução da jornada de trabalho. Para Passos, a qualidade de uma pesquisa está diretamente relacionada à forma como as perguntas são apresentadas aos entrevistados, especialmente quando envolvem temas complexos que podem gerar impactos econômicos e financeiros.
O dirigente argumentou que levantamentos de opinião devem permitir que a população compreenda os possíveis desdobramentos das medidas analisadas, incluindo eventuais reflexos sobre preços de produtos e serviços.
“Acho que o instituto, quando busca esse diagnóstico, mas também mostrando que as modificações podem encarecer, traz uma resposta mais ponderada, mais correta do ponto de vista do conceito a que uma pesquisa se propõe”, concluiu o dirigente.
Na avaliação do presidente da FIEB, pesquisas elaboradas com esse tipo de contextualização cumprem uma função importante ao oferecer diagnósticos mais equilibrados sobre temas de interesse público, auxiliando tanto o planejamento empresarial quanto o debate sobre políticas econômicas e trabalhistas.
