Salvador, 29/05/2026 11:59

Jornalismo ético compromissado com a verdade

Salvador

Boulos critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa Bolsonaro de agir contra soberania do Brasil

andre

Compartilhe:

google-news-follow

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou nesta sexta-feira (29) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e afirmou que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo Brasil, sem interferência estrangeira.

A declaração foi dada durante agenda ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, em Salvador. Na quarta-feira (28), o governo norte-americano anunciou a designação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras.

Ao comentar o tema, Boulos afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado de forma firme contra o crime organizado, inclusive atingindo estruturas financeiras ligadas à lavagem de dinheiro.

“O governo do presidente Lula foi o que combateu de maneira mais firme o crime organizado nesse país. A operação Carbono Oculto não pegou o crime só ali no bagrinho, pegou o crime na lavagem de dinheiro da Faria Lima, do grande criminoso, dos ricaços e dos privilegiados que ganham com o crime organizado e que ganham com o tráfico de drogas”, afirmou.

O ministro também questionou os interesses dos Estados Unidos ao adotar a medida e disse não acreditar que a iniciativa esteja relacionada à segurança pública brasileira.

“Agora a questão é que quem tem que fazer isso é o Brasil, é o povo brasileiro. Eu pergunto: alguém acha de verdade que o Donald Trump e os Estados Unidos estão preocupados com a segurança do povo aqui da periferia da Bahia ou de qualquer periferia do Brasil? Não estão”, declarou.

Boulos associou a decisão americana a interesses econômicos e estratégicos envolvendo recursos naturais brasileiros.

“Como quando foram lá na Venezuela, a preocupação deles não era isso, a preocupação deles era petróleo. Aqui o que querem é minerais críticos, é terras raras”, disse.

Na entrevista, o ministro reforçou que o governo federal seguirá atuando contra o crime organizado, mas afirmou que o país precisa preservar sua soberania.

“O governo federal vai continuar sendo firme no combate ao crime organizado, defendendo a soberania brasileira. Quem cuida dos assuntos do Brasil é o povo brasileiro e o governo eleito pelo povo brasileiro”, afirmou.

Boulos também atacou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e acusou integrantes da direita de atuarem contra os interesses nacionais.

“Infelizmente, a gente tem um grupo de lambe botas, de traidores da pátria, que tem atuado contra o Brasil”, declarou.

Ao mencionar a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca, o ministro questionou se as milícias do Rio de Janeiro também seriam enquadradas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

“Eu me pergunto se o seu Flávio Bolsonaro, que foi lá na Casa Branca, se ele também propôs transformar a milícia do Rio de Janeiro em organização terrorista”, afirmou.

Na sequência, Boulos citou o caso envolvendo o ex-policial Adriano da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público como liderança do Escritório do Crime.

“Milícia do Rio de Janeiro que tinha lá o chefe do escritório do crime, Adriano da Nóbrega, que foi premiado por ele, que a mãe e a esposa do chefe da milícia do Rio de Janeiro estavam no gabinete dele”, declarou.

Ao concluir, o ministro afirmou que setores ligados ao bolsonarismo não possuem “autoridade moral” para tratar do combate ao crime organizado.

“Tem que ter autoridade moral para falar em combater o crime organizado e essa turma não tem”, disse.

andre
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música.

Gostou? Compartilhe!

google-news-follow

LEIA TAMBÉM

publicidade