Salvador, 29/05/2026 11:07

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Rui Costa diz que estados manipulam dados de homicídios e critica ACM Neto: “Não tem moral para falar de segurança”

andre

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O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado pela Bahia, Rui Costa (PT), reagiu nesta sexta-feira (29) às críticas feitas pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) aos índices de violência no estado e afirmou que a capital baiana falhou em áreas como segurança pública e educação infantil durante as gestões do grupo político adversário.

A declaração foi dada durante agenda ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), em Salvador, ao comentar dados do Atlas da Segurança Pública e críticas recentes da oposição ao cenário da violência na Bahia.

Rui Costa afirmou que ACM Neto prometeu fortalecer a Guarda Municipal quando administrou Salvador, mas não teria cumprido os compromissos assumidos.

“Ele disse que iria resolver o problema de segurança pública em Salvador com a Guarda Municipal. E eu pergunto, quantos guardas municipais ele contratou em oito anos de mandato? Nenhum. Nenhum. Ele deixou, depois de oito anos, um contingente de guarda municipal menor do que ele encontrou”, declarou.

O ex-governador também relacionou o debate sobre violência aos investimentos em educação e criticou indicadores sociais da capital baiana.

“Então ele não tem mínima condição de falar sobre segurança pública, porque ele não deu a contribuição dele, até porque para falar de segurança pública tem que falar de educação. Quando você dá um Google e pergunta qual é a pior capital em educação infantil, aparece Salvador. Quando você pergunta no Google qual a pior oferta de crédito no Brasil, aparece Salvador”, afirmou.

Na sequência, Rui Costa disse que quem não investe em educação e não fortalece a Guarda Municipal “não tem moral” para criticar a segurança pública estadual.

“Então quem não investe em educação, não contratou nenhum policial para a Guarda Municipal, não tem moral para falar de segurança pública”, disse.

Ao comentar os números da violência no país, o petista afirmou que o Brasil convive há décadas com índices “de guerra” e defendeu cautela na comparação entre estados por causa das diferenças metodológicas nos registros de homicídios.

“Primeiro é reconhecer que no Brasil a violência é absurda. Por ano, com pequenas oscilações de um ano para o outro, mas há cerca de 20 anos no Brasil, o número oscila em torno de 50 mil homicídios no país por ano. São números de guerra”, declarou.

Rui Costa acusou alguns estados de classificarem homicídios como “mortes a investigar” para reduzir artificialmente as estatísticas criminais.

“Agora, a comparação de um estado para o outro, na minha opinião, fica prejudicada, porque alguns estados passaram a adotar uma metodologia de classificar os homicídios como mortes a investigar”, afirmou.

O ex-governador citou o Rio de Janeiro e São Paulo como exemplos de estados que, segundo ele, adotaram esse modelo de contabilização.

“São Paulo, por exemplo, depois do governo Dória, começou a adotar isso. E você vê o gráfico de São Paulo, o número de mortes a investigar ultrapassando o número de homicídios”, disse.

Segundo Rui Costa, na Bahia os casos são registrados diretamente como homicídio mesmo quando ainda não há autoria identificada.

“Na Bahia não é feito isso. Então, se um corpo encontra perfurado de bala, é homicídio. Você pode não saber quem matou, não saber a motivação, mas é lançado como homicídio”, declarou.

Apesar da defesa da metodologia utilizada no estado, Rui Costa reconheceu a gravidade da violência no país e afirmou que os índices continuam elevados em todas as regiões.

“Agora, é fato e tem que ser reconhecido que o número é absurdo no Brasil e na Bahia, em qualquer estado, o número é absurdo o número de homicídios”, concluiu.

andre
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música.

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