Parlamentar repudiou o atropelo na discussão da redução da jornada de trabalho às vésperas do pleito, defendendo um equilíbrio entre a proteção ao trabalhador e a sustentabilidade de quem gera empregos.
O senador Angelo Coronel criticou a introdução de propostas de alteração da jornada trabalhista no Congresso Nacional em período próximo ao calendário eleitoral. Durante entrevista realizada em Salvador nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, o parlamentar condenou o que chamou de açodamento retórico da bancada de situação, garantindo que o Senado atuará com o rigor técnico necessário para que a legislação não seja instrumentalizada como plataforma de captação de sufrágios.
O congressista apontou uma incongruência no comportamento dos proponentes da matéria, questionando o motivo de o debate não ter sido encampado nos anos anteriores. “O grande problema é que se deixa para fazer uma proposta dessa magnitude faltando 130 dias para as eleições. Não sei por que se passou esse tempo todo e o PT não lembrou de tentar reduzir essa escala para 5 por 2”, argumentou Coronel, ressaltando que “não se pode simplesmente querer usar a população trabalhadora para reverter isso em voto”.
Ao definir sua postura doutrinária, o senador afirmou que buscará o alinhamento com a executiva de seu partido, reiterando sua defesa pelo equilíbrio nas negociações coletivas. Coronel defendeu a necessidade de uma reforma ampla e modernizadora da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), adaptando um arcabouço da década de 1940 à nova economia digital. “A CLT já tem muitos pontos defasados e a gente precisa adequar à nossa realidade. Antigamente, quando foi criada a CLT, nos idos de 1940, se não me falha a memória, não tinha nem a questão do direito digital, não tinha essa questão de vendas e compras online. Então mudou tudo no Brasil. Então nós temos que fazer um Brasil moderno e não na pressa, no afogadilho, pensando somente no voto”, concluiu.
