Em Salvador, prefeito do município interiorano e senador Angelo Coronel apontaram colapso na segurança pública da Bahia, criticando a falta de computadores para agentes e a vulnerabilidade das fronteiras federais.
Lideranças da oposição trouxeram relatos alarmantes sobre a crise de segurança pública na Bahia nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em Salvador. Durante o ato de lançamento do movimento “Sua Voz é Nossa Voz”, o prefeito de Jequié, Zé Cocá, e o senador Angelo Coronel criticaram de forma contundente a condução das políticas estaduais e federais no setor, revelando a audácia do crime organizado no interior baiano e o sucateamento estrutural das forças policiais.
O prefeito de Jequié chamou a atenção da plateia ao relatar como as facções criminosas se equiparam tecnologicamente à frente do próprio poder público. “Você pega a polícia em Jequié, não tem estrutura nenhuma. Você vê, eu fiz o comitê em Jequié para fazer um trabalho popular, não tem computador, não tem drone, não tem equipamentos que faça o trabalho. Você vai avaliar num bairro em Jequié, você vê o momento do tráfico bota o sistema de monitoramento nos postes para monitorar o bairro, para saber a hora que a polícia chegar e a hora que a polícia sair”, denunciou Cocá, cobrando ações rápidas baseadas em eficiência e inteligência.
O gestor municipal também pontuou o clima de desamparo e desestímulo que afeta os trabalhadores da polícia militar diante de tiroteios recentes na região. “O Estado não dá a sua resposta, o governador não fala nada, você não vê ação, e a polícia acuada. Porque se o policial matar um bandido, no outro dia ele vai ser penalizado. Mas se o bandido matar o policial, não acontece nada com ele, infelizmente”, desabafou Cocá, defendendo que a ausência de investimentos em creches e educação básica acaba facilitando o aliciamento de jovens pelo crime na ponta.
Apoiando o diagnóstico, o senador Angelo Coronel argumentou que o envio isolado de novos veículos e armas pelo governo estadual é ineficaz caso as divisas do país permaneçam desprotegidas. O parlamentar classificou os 17 mil quilômetros de fronteiras secas do Brasil como um queijo suíço que viabiliza a entrada contínua de drogas e fuzis. “Então, se não fizermos isso, é enxugar gelo. É comprar viatura, viatura vai depredar, vai ficar ruim, não vai resolver o problema da segurança pública, porque quem alimenta a insegurança é o tráfico, é a droga”, alertou Coronel, lembrando que, na condição de ex-relator do orçamento federal, alocou verbas para o Sistema de Monitoramento das Fronteiras, o Sifron, mas os sucessivos governos federais não concluíram o projeto.
