Em Salvador, oposicionistas apresentam propostas de reestruturação policial e utilizam dados do novo Atlas da Violência para classificar segurança estadual como fracasso.
Durante a coletiva de imprensa para o lançamento do movimento “Sua Voz é Nossa Voz”, realizada em Salvador nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, o senador Angelo Coronel e o ex-prefeito ACM Neto subiram o tom contra a escalada da criminalidade na Bahia. O senador defendeu uma descentralização de recursos federais para fortalecer a atuação municipal na segurança pública, enquanto Neto detalhou os recortes demográficos e regionais do último relatório estatístico nacional para demonstrar o colapso das ações geridas pelo governo de Jerônimo Rodrigues.
O senador detalhou um projeto de lei federal de sua autoria voltado para modificar o repasse de verbas da segurança pública, permitindo que os municípios assumam um papel ostensivo e de combate ao narcotráfico. “O Fundo Nacional de Segurança Pública que é instituído no Brasil, olha, 50% vem para o estado, 50% para a União. Eu inclusive fiz um projeto de lei para poder desmembrar, tirar 25% e jogar para as prefeituras. Por quê? Porque se a gente equipar também as nossas guardas municipais, treinar guardas municipais, eles sabem, eles conhecem. O policial municipal sabe quem é o bandido, quem é o traficante, porque ele está ali no dia a dia, ele mora lá”, detalhou Coronel, defendendo a transformação das guardas em polícias municipais armadas e independentes.
Ao endossar a necessidade de mudanças profundas na estratégia, o secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, apresentou os dados consolidados do Atlas da Violência e traçou um paralelo crítico com outros estados populosos do país. “Lamentável que mais uma vez a Bahia ocupe o primeiro lugar no número de homicídios do Brasil. Os dados de ontem do Atlas da Violência, que traz o mapa da violência no país, coloca a Bahia mais uma vez em primeiro lugar. A Bahia tem mais do que o dobro do número de homicídios do Rio de Janeiro” apontou.
Neto acrescentou que o estudo expõe a vulnerabilidade de minorias sociais e o avanço da letalidade no interior baiano, que hoje concentra metade das vinte cidades mais violentas do território nacional. “A Bahia é primeiro lugar em número de assassinatos de crianças, de negros e de mulheres. Houve uma explosão no número de assassinatos de indígenas na Bahia. Na Bahia a gente sabe hoje que a vítima da violência ela tem nome, ela tem endereço, ela tem cor, ela tem gênero. Então é uma coisa que realmente só mostra o fracasso da política de segurança pública do governo de Jerônimo Rodrigues”, concluiu o ex-prefeito.
