O senador Angelo Coronel (PSD) criticou nesta quarta-feira (27) o Programa de Governo Participativo (PGP) promovido pelo grupo governista na Bahia e afirmou que os encontros realizados pelo PT ao longo dos últimos anos não ampliaram efetivamente a participação popular.
As declarações foram dadas durante o lançamento do movimento “Sua Voz é a Nossa Voz”, organizado pelo ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo estadual, ACM Neto (União Brasil).
Ao comentar o modelo de escuta adotado pelo governo estadual, Coronel afirmou que os encontros promovidos pelo PT reúnem sempre os mesmos grupos políticos e lideranças aliadas.
“O que eu vejo nos PGPs que ele fez, quando fez, é que fala a mesma coisa. São convocados as mesmas pessoas, as mesmas lideranças. Eu participei, não há quatro anos mais, há oito anos mais, e a coisa não é aberta. Então você fala com a bolha, e essa bolha não vai transformar nada”, declarou.
O senador também questionou o discurso de mudança apresentado pelo governador Jerônimo Rodrigues e afirmou que, após duas décadas de governos petistas, o estado continua enfrentando problemas estruturais.
“Então quando eu falei para ele ver quando o governo está aqui, o governo Jeronimo é porque quando eu ouço o Jerônimo falar que vai ter a mudança, como é que muda por 20 anos? Não muda quando você vota em alguém novo para votar, para levar a nova direção. Agora você quer imputar algo que já está implantado. É muito difícil”, afirmou.
Coronel concentrou parte das críticas na área da saúde pública e disse que hospitais baianos enfrentam dificuldades de manutenção e atraso no pagamento de profissionais.
“A questão de saúde. A saúde é uma realidade. A saúde não adia. Se não são as emendas parlamentares, que os deputados alocam no município, o município fecha o hospital”, declarou.
Segundo o senador, a construção de hospitais não resolve, por si só, os problemas da rede pública sem investimento contínuo em custeio e abastecimento de unidades de saúde.
“Então o que o povo tem que entender é que não é só fazer um prédio bonito para fazer isso. Não é só fazer um hospital regional bonito. E a manutenção. E a manutenção, e o algodão, o Mercúrio, o medicamento analgésico. Isso não existe”, afirmou.
O parlamentar ainda alegou que médicos vinculados a hospitais filantrópicos administrados pelo estado estariam enfrentando atrasos salariais.
“Vários dos hospitais filantrópicos que hoje são geridos pelo Estado, não tem medicamento. E medico com 3, 4, 5 meses de atraso. Desafio aqui que o Estado prove que os médico não estão com salarios atrasados na Bahia”, disse.
Ao final, Coronel afirmou que a precarização do sistema compromete o atendimento à população e criticou a condução da saúde pública no estado.
“Então o que acontece? O médico sem estímulo. E sem medicamento. Então o cara brinca de fazer saúde. Porque a gente não pode permitir mais isso em nosso país”, concluiu.
