Salvador, 25/05/2026 18:13

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”Meu clamor é o júri popular”, diz Rute Fiúza sobre expectativa para caso Davi Fiúza

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O caso Davi Fiúza, jovem negro desaparecido desde 2014 após ser levado por policiais militares no bairro de São Cristóvão, voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (25), durante a audiência de instrução do processo que investiga o envolvimento de PMs. A audiência, realizada no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Sussuarana, teve como foco o depoimento de duas testemunhas.

Mãe de Davi, Dona Rute conversou com a imprensa e voltou a cobrar que os acusados sejam levados a júri popular. Emocionada, afirmou que ainda não conhece o significado da palavra justiça. “Uma palavra que ainda não conheço é justiça. Para mim, a justiça ainda é uma utopia. Estou lutando por ela”, declarou.
Para ela, o caso representa não apenas uma dor individual, mas também a cobrança coletiva por respostas do Estado diante da violência policial contra jovens negros nas periferias. “Meu luto é uma luta. Meu clamor é o júri popular”, afirmou Rute Fiúza, coordenadora do Movimento Mães de Maio da Bahia e integrante da Coalizão Negra por Direitos.

Ela também criticou a lentidão do processo. “A morosidade judiciária é para que caia no esquecimento e para que a gente desista, como se mãe desistisse do filho. Eu não vou desistir”, disse. Rute demonstrou preocupação com o tempo de tramitação, que já chega a 12 anos sem uma definição judicial. “Espero que esse caso não se prolongue por mais 12 anos. Só peço que não seja arquivado, porque existem provas robustas de todo o fato”, afirmou.

Representantes da Anistia Internacional e da Iniciativa Negra acompanharam a audiência, reforçando o monitoramento nacional e internacional sobre a condução do processo, marcado por sucessivos adiamentos e pela demora judicial que atravessa mais de uma década.

Co-fundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro reforçou a expectativa de que o caso seja encaminhado ao júri popular. “A ida do caso para a Justiça comum já demonstra o reconhecimento de indícios de homicídio. Esperamos que, com a escuta das últimas testemunhas, o juiz pronuncie o caso para júri popular, garantindo não apenas justiça, mas também reafirmando que nenhuma família merece passar pelo que a família de Rute Fiuza enfrenta. O Estado precisa ser responsabilizado e garantir a devida reparação”, pontuou.

O processo entra agora na fase de alegações finais, etapa em que acusação e defesa apresentam suas manifestações antes da decisão do juiz sobre o encaminhamento do caso para julgamento. Nesta terça-feira (26), Rute Fiúza prestará depoimento por escrito.

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